
Documentos relacionados à
Igreja Evangélica de Confissao Luterana no Brasil
1. Salvação por Graça por meio da Fé através da Escritura
Martin Luther aponta para o Cristo crucificado. Somente Cristo salva. Nós não somos salvos pelos nossos próprios méritos ou esforços, mas que são reveladas por Cristo
Graça presenteada por Deus somente pela Fé na dádiva e promessa de Deus
Escritura que contém a sua palavra. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2. 8-9). Hb 4.12 diz: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.
Confessamos como cristãos evangélicos luteranos que o pecador é tornado justo pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo; a possibilidade da salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento de toda a sua vida cristã. Na fé justificadora, o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidas a esperança em Deus e o amor a ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem obras; obras são o resultado da fé. Eu não consigo fazer nada pela minha salvação. Se eu pudesse me salvar por algo que eu faça então eu não precisaria de Jesus Cristo, eu seria deus.
2. A Escritura é a Palavra de Deus revelada na forma de Lei e Evangelho.
Lei e Evangelho são palavra de Deus, dirigida ao ser humano, mas de maneira diferenciada. A Lei ordena a justiça que deve ser cumprida, é juízo. O Evangelho aponta para Cristo, no qual está cumprida a justiça que é apreendida pela fé, é graça. Na Lei Deus exige, no Evangelho ele doa. A Lei acusa, condena e mostra ao ser humano sua verdadeira situação diante de Deus, que ele é pecador. No Evangelho, o próprio Deus anula a condenação dos que estão sob a Lei, por havê-la eliminado de uma vez por todas, na cruz, para a salvação dos pecadores. Toda a pregação e anúncio da Palavra de Deus têm que se dar na forma de Lei (juízo) e Evangelho (graça).
3. Fé e Obras.
“Porque o cristão está desligado de todos os mandamentos e em uso de sua liberdade, tudo quanto faça, o fará voluntária e desinteressadamente, sem buscar nunca seu próprio proveito e sua própria salvação, mas unicamente para agradar a Deus. Pois já está farto e santificado pela sua fé e graça divina. Ao inverso, quem não possui fé, nenhuma obra o ajudará para sua justificação e salvação. Além disso, não são más obras que possam fazer a pessoa má e condená-la, porém a incredulidade que perverte a pessoa e a árvore e executa as obras más e condenáveis. Pois o ser justo ou mau não procede das obras, mas, sim da fé, como disse o sábio Siraque 10,14: “O princípio de todo o pecado é: afastar-se de Deus e não confiar nele”. (Luther. Da Liberdade Cristã)
4. Ao mesmo tempo Justo e Pecador.
Toda sorte de poderes, desejos e ambições perseguem os cristãos por todos os lados (Romanos 8.35-39; Gálatas 5.16-21) e eles acabam pecando (I João 1.8 e 10); por isso os cristãos precisam ouvir sempre de novo as promessas de Deus, precisam confessar os seus pecados (I João 1.9), participar do corpo e do sangue de Cristo (Ceia do Senhor) e ser aconselhadas e amparadas pela comunidade para poderem viver uma vida justa conforme a vontade de Deus. Mesmo assim, a pessoa justificada por Deus permanece, durante toda a vida, sem parar dependente da graça de Deus que justifica de forma irrestrita. Também a pessoa justificada precisa pedir, como no Pai-Nosso, a cada dia o perdão de Deus (Mateus 6.12; I João 1.9), é chamada constantemente à conversão e ao arrependimento e recebe constantemente o perdão. Assim, até o juízo final, somos pecadores e justos ao mesmo tempo.
5. Jesus Cristo é o único Mediador
A afirmação do sacerdócio geral de todos os crentes implica em que o clero (pastores e padres) não pode mais reivindicar para si a função de mediar o relacionamento entre Deus e os demais cristãos. O único mediador é Cristo e sua palavra. Não há necessidade de outros mediadores, pois todos os batizados e crentes são membros plenos do povo de Deus, tendo, portanto, acesso imediato a Deus através da fé e da oração (I Timóteo 2,5: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”). Por isto não oramos ao santos e nem lhes fazemos promessas. Estes estão mortos, não tem poder algum e não conseguem fazer nada e esperam como nós pelo fim dos tempos, pelo novo céu e pela nova terra nos quais habita a justiça (II Pedro 3,13).
6. Liberdade Cristã: não estou sujeito a ninguém e sou servo de todos.
Nós evangélicos luteranos somos livres a partir da salvação que nos foi dada por Jesus Cristo. Martin Luther descreve a “liberdade cristã” assim: “O cristão é um senhor livre de tudo, a ninguém sujeito. O cristão é um servo dedicado a tudo, a todos sujeito”. Como se entende e explica isto?
Os evangélicos luteranos são livres libertados. Conseqüentemente, dispensam sacerdotes. Eles mesmos são sacerdotes com quem Deus fala e através dos quais ele atua junto à Igreja e Sociedade. Nós encaramos as tarefas na Igreja e a política na Sociedade como alegre serviço a Deus prestado para com homens e mulheres.
Esperamos e apressamos da toda maneira a vinda do novo céu e da nova terra, onde reina a justiça (II Pe 3. 12 – 13). Agimos na firme certeza da intervenção direta e definitiva, iminente de Deus (Ap 21): enxugamos logo as lágrimas; consolamos já os entristecidos; compartilhamos agora as dores; aliviamos de pronto os sobrecarregados; resistimos hoje à morte e aos seus capangas; derrubamos imediatamente os muros entre as pessoas e acabamos com as classes de qualquer ordem. Sempre, no entanto, apontamos para o próprio Deus, que vai morar em breve com os seres humanos, vai ser tudo para eles, e eles serão o seu povo. (Baeske)
7. Sacramentos
Sacramentos são Palavra visível; e Palavra de Deus é Lei e Evangelho. Palavra e Sacramentos são a mesma coisa. A Palavra dá dignidade aos elementos; sem a Palavra a água do batismo é apenas água e o pão e o vinho da Ceia são apenas pão e vinho.
Sacramentos são meios pelos quais Deus se comunica conosco, apontam para a intenção de Deus, explicam-na e a desdobram. Eles são de Deus, não nossos. Recebemo-los gratuitamente. Através deles, o próprio Deus nos alcança, envolve e transforma, não apenas no coração ou no espírito. Ele toma posse de nós por inteiro, do nosso corpo, dos nossos órgãos, de tudo.
Deus nos declara o seu amor com todas as letras e o reforça com a água, no ato batismal, e o pão e o vinho, na Santa Ceia. Assim, o amor de Deus nos alcança através do gosto, do tato, do olfato, da visão e da audição. Ele é envolvente no sentido pleno da palavra; atinge a pessoa inteira. Nada fica de fora. E radicalmente diferente do nosso amor.
Mediante o Batismo, ele nos coloca para dentro do seu amor; na Santa Ceia, ele nos alimenta com o seu amor. No Batismo, Deus começa a sua história conosco, e com a Santa Ceia, ele nos conserva nela. O sacramento para ter validade tem que ter a Palavra de Deus e um sinal visível.
P. Günter Adolf Wolff - Condor/RS