
Documentos relacionados à
Igreja Evangélica de Confissao Luterana no Brasil
Posicionamento do Conselho da Igreja referente ao Ministério Eclesiástico e Homossexualidade
1. Cremos, a partir do testemunho do Evangelho, que Deus ama as pessoas sem distinção. Está claro, também, que tanto as pessoas que se sentem atraídas sexualmente para o mesmo sexo como as que se sentem atraídas para o sexo oposto precisam da graça de Deus para serem salvas. Nenhuma pessoa é salva por causa do seu comportamento sexual. O apóstolo Paulo escreve: "...Não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por causa da graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3.23s). Todos nós, sejamos pessoas hetereossexuais ou homossexuais, somos justificados tão somente pela graça de Deus e pela fé que o Espírito Santo em nós opera.
2. Estamos conscientes e lembramos que a sexualidade faz parte da boa criação de Deus, constituindo-se numa maravilhosa dádiva divina, pela qual devemos ser sempre gratos a Deus, vivendo-a também em responsabilidade diante de Deus e do nosso próximo. Afirmamos ainda que a fé em Jesus Cristo, que queremos tornar concreta na convivência na igreja, nos leva a viver nossa sexualidade em respeito ao matrimônio e ao próximo, conforme os ensinamentos da Palavra de Deus. Por isso, em nossa conduta sexual, evitamos tudo quanto possa levar nosso irmão ou nossa irmã a tropeçar ou cair em pecado. É nesse sentido que Lutero explica o 6. Mandamento, no Catecismo Menor : "Devemos temer e amar a Deus e viver uma vida casta e decente em palavras e ações e cada qual ame e honre seu consorte."3. No tocante à homossexualidade, há na atualidade em muitas igrejas um
intenso debate
quanto a sua natureza e quanto à correta interpretação bíblica a seu respeito. Não há entre os especialistas um consenso absoluto nem na ciência quanto à natureza da homossexualidade, nem na interpretação bíblica daquelas passagens que fazem alusão à homossexualidade. Tampouco há na IECLB ainda esse consenso. Ao contrário, as posições são, por vezes, frontalmente opostas. Esse fato requer da Igreja discernimento, não juízos, enquanto ela segue auscultando perseverantemente a Palavra de Deus. Acima de tudo, deve haver uma prática sensibilidade pastoral, tanto para com as pessoas homossexuais quanto para com as famílias e as comunidades, em cujo meio essas pessoas vivem. Há nesse particular muito sofrimento, ao qual a igreja deve sua atenção espiritual e diaconal. De modo algum devem as pessoas homossexuais ser discriminadas ou afastadas do convívio na comunidade de fé. A palavra de Deus é juízo e graça para todas as pessoas, tanto as homossexuais quanto heterossexuais. Em todas as situações e para com todas as pessoas, deve prevalecer o amor, que é o maior dos dons (1Co 13).
5. Não negamos que as pessoas homossexuais, que vivem a sua condição sem causar escândalo, podem realizar um trabalho abençoado na comunidade, ao colocarem a serviço do Evangelho os dons que Deus lhes deu. Mas constatamos também que, no momento atual da Igreja, não há condições de uma pessoa homossexual praticante assumir o exercício público do ministério eclesiástico na IECLB.
(Aprovado pelo Conselho da Igreja em sua reunião de 27 a 29/04/2001. Publicado no Boletim Informativo da IECLB 173 de 28/06/01)