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A assembléia frustrada
Numa região muito seca havia um único pequeno lago.
Todos os animais vinham ali saciar a sede. A água, apesar de escassa, dava para todos. Também o pato vinha nadar no lago e saciar a sede. Certo dia, assustados, os animais constataram que o lago diminuía a olhos vistos, o que nunca antes acontecera.
Houve então um grande alvoroço e todos começaram a acusar a todos, cada um empurrando a culpa no outro. A grande maioria, no entanto, desconfiava do leão. Diziam alguns que ele cavara um canal subterrâneo e desviava água para sua resid6encia. Como o problema dizia respeito a todos, já que a vida de todos dependia daquela água, o pato convidou os outros animais para uma assembléia geral. No decorrer da assembléia houve muita discussão e muita acusação sem fundamento. Mas houve também alguns depoimentos de valor e todos estes faziam aumentar a suspeita contra o leão.
O pato então sugeriu uma sindicância na casa do leão, uma CPI, para tirar a questão a limpo. Interessava-lhe unicamente a causa de todos os animais, já que todos eles passariam sede, caso o problema não fosse solucionado. Pediu também que ninguém mais acusasse o leão, antes que sua culpa fosse comprovada. A coruja, às pressas, retirou-se para um galho bem alto e começou a filosofar sobre a justiça e a injustiça do mundo, sem contudo dispor-se a entrar em ação. O cão, não compreendendo bem a causa que o pato defendia, pensou tratar-se de questão pessoal contra o leão. Latiu alto e protestou, defendendo o suspeito, porque este certa vez lhe deixara uma sobra de carne. O gato também se negou a acompanhar a CPI porque o leão cada manhã lhe acariciava o pelo. O burro desferiu violento coice, ameaçando ora um, ora outro, sem perguntar quem estava e quem não estava com a razão. O Coelho, muito assustado, refugiou-se em sua toca, sem disposição de correr riscos. O macaco fez uma careta e foi contar as novidades no bar da esquina, armando uma monstruosa fofoca. O louva-deus pulos até a próxima igreja e, com ar de superioridade, desligou-se do assunto, para preocupar-se com as coisas celestiais. O leão aproveitou para elogiar-lhe a religiosidade e lamentou não fossem todos como ele. A raposa, dona de um armazém, ficou neutra, porque o leão contava entre os seus maiores fregueses. A neutralidade, foi dizer-lhe o leão, é a maior das virtudes. Vários fregueses, de poucos ideais, o aplaudiram, assim como haviam aplaudido o pato anteriormente. O boi bocejou ostensivamente, alegando sono. O gavião, bom de vôo, saiu mais cedo da Assembléia sem dar sua opinião, pois estava preocupado com seu almoço e outros afazeres. Além do mais, se fosse o caso iria procurar um outro lago longe dali. O peixe ausente na Assembléia, continuou a nadar alegremente, sem suspeitar do perigo que o ameaçava.
Assim, praticamente sozinho, o pato desanimou, não reunindo energias para continuar a luta. Sua maior decepção foi constatar a incapacidade da maioria de diferenciar uma causa justa em defesa da coletividade de uma questão pessoal. Também o entristeceu muito a neutralidade dos muitos que temiam prejudicar seus interesses particulares com uma decisão por uma ou outra parte. Desanimado também desistiu.
Enquanto isto o lago diminuía visivelmente...
COM QUEM VOCÊ SE ACHOU PARECIDO???
QUALQUER SEMELHANÇA COM A VIDA REAL E COM A VIDA DA IGREJA DE CRISTO, NÃO É MERA COINCIDÊNCIA
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