Bispa acata denúncia de omissão e renuncia

A bispa de Hamburgo, Maria Jepsen, 65 anos, da Igreja Evangélica Luterana do Norte do Elba, renunciou ao cargo depois que reportagem na revista alemã Der Spiegel denunciou o descaso da religiosa frente à denúncia de violência sexual cometido por pastor da sua jurisdição.

ALC
Hamburgo, lunes, 19 de julio de 2010

“A minha credibilidade foi colocada em discussão”, assim que “não me vejo mais em condições de anunciar a Boa Nova, como havia prometido diante de Deus”, disse Jepsen em entrevista coletiva, na sexta-feira, 16, quando apresentou sua renúncia ao bispado. Maria Jepsen foi a primeira mulher do mundo a ser ordenada bispa na Igreja Luterana, em 1992.

Segundo testemunhas, o pastor Dieter K., do norte da Alemanha, teria abusado, nos anos 70 e 80, de meninos e meninas, talvez até de três afilhados, integrantes de grupo de jovens que tinha nele um líder. Der Spiegel disse que o caso foi denunciado à bispa em 1999, mas que ela o subestimara.

O presidente do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), bispo Nikolaus Schneider, lamentou a renúncia da colega, e destacou o envolvimento de Maria Jepsen no tema Igreja e Israel, e seu engajamento na defesa dos direitos dos homossexuais na Alemanha.

Assumirá o cargo ocupado por Maria Jepsen o bispo Jürgen Bollmann, 62 anos.

A série de denúncias sobre abusos sexuais cometidos por clérigos na Alemanha não se restringe à Igreja Católica, mas respinga também em outras denominações, de protestantes a institutos educacionais não-confessionais, que mantém escolas secundárias.