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Consejo Latinoamericano de Iglesias - Conselho Latino-americano de Igrejas |
MARCOS 1.29-39 JÓ 7.1-7 para entender a realidade da vida hoje Nosso texto descreve a realidade de opressão de Jó (do povo) pela corvéia, trabalho pesado, escravidão, sofrimento, doença, vida sem esperança e sem felicidade. Essa também é a realidade presente na conjuntura atual, em que a realidade do Brasil é determinada pela conjuntura internacional. 1.1 -A situação internacional A economia dos Estados Unidos está enfrentando uma dura crise, que já vem de alguns anos. Essa crise na economia central capitalista, por ser a ponência económica e militar hegemónica num mundo unipolar, transforma sua política, mais agressiva e mais perigosa, para querer sair da crise a qualquer preço. Ou melhor, transferindo todo o peso da crise para os povos dos outros países. Essa transferência da crise se dá pela emissão sem controle do dólar, utilizando-o como moeda internacional. Essa é a forma de os Estados Unidos financiarem seus gastos à custa de todo o mundo, impondo sua vontade aos países, para controlar fontes de energia (petróleo) e biodiversidade. E para controlar mercados, via ALCA, OMC, Banco Mundial, FMI etc. Os quinze anos de neoliberalismo, de espoliação total da riqueza do continente latino-americano, geraram uma dominação total do capital internacional, que impediu alternativas de modelos económicos, m esmo dentro do sistema capitalista. Há estudos que revelam que, nesse Período, nosso continente enviou um trilhão de dólares em remessas para os Estados Unidos e a Europa. 1 - 2 -A situação da América Latina A América Latina foi o continente que mais sofreu a ofensiva do capitalismo na década de 1990 ' em razão das mudanças na correlação de forcas internacional naquele período. Foi na América Latina que as corporações internacionais e o capital financeiro aplicaram com mais voracidade suas políticas neoliberais, defendidas no consenso de Washington. Isso levou a uma espantosa desestatização, aniquilando as empresas estatais existentes e a exclusão dos estados nacionais na elaboração das políticas econômicas. Assim diversos países, como Panamá, Equador e Argentina, chegaram a abandonar moedas nacionais e adotaram o dólar estadunidense. No entanto, a população deu-se conta de que nenhum problema económico foi resolvido e que as economias tornaram-se ainda mais dependentes. E o pior todos os problemas sociais se agravaram. 1.3 -A situação da economia e da política no Brasil As forças conservadoras do capital, aliadas ao capital estrangeiro, continuam tendo hegemonia completa na política económica do governo. A política económica segue à risca a ortodoxia neoliberal, baseada nos três pilares clássicos: a- altas taxas de juros para atender os interesses dos banqueiros, credores da dívida pública interna. A taxa básica Selic de 19,25% ao ano representa hoje a mais alta taxa de juros real de todo o mundo; b - manutenção de um superavit primário no orçamento público do governo federal , que representa a arrecadação de 60 bilhões de reais (ao redor de 24 bilhões de dólares ao ano) , recolhidos de toda a população na forma de impostos e repassados aos bancos na forma de pagamento de juros das dívidas interna e externa. Os bancos, as grandes empresas exportadoras e as corporações transnacionais que operam no Brasil são os únicos que estão se beneficiando dessa política; c - manutenção de uma política cambial, monetária e tributária de estímulo às exportações. Como forma de auferir os dólares suficientes para evitar especulações do capital financeiro e evitar crises de pagamento da dívida externa. O governo Lula não aposta na mobilização popular e no povo como um ator importante para as mudanças. Prioriza apenas suas articulações com os parlamentares no Congresso Nacional. A democracia representativa está cada vez mais limitada e aumenta o descrédito no meio do povo. 1.4 - Os desafios que os movimentos de massa enfrentam na atual conjuntura O movimento de massas, no seu sentido mais amplo, encontra-se num processo muito complexo e difícil. As direções políticas dos movimentos estão confusas ideologicamente. A maioria abandonou a perspectiva socialista. É necessário trabalhar permanentemente com a perspectiva de acúmulo de forças organizadas da classe tra-balhadora para retomar as lutas de massa, único caminho que pode permitir alterar a correlação de forças adversas para o povo. Perceber e seguir trabalhando prioritariamente na solução de seus verdadeiros desafios históricos, que são: a formação de dirigentes (dos partidos de esquerda, do movimento popular, das igrejas, dos sindicatos) em todos os níveis, a elaboração de um programa alternativo para o país, preparar os militantes para a retomada do movimento de massas e o reascensão do movimento de massas por meio das lutas sociais. Refictir sobre as práticas da esquerda, que apenas priorizou a luta institucional e eleitoral. Os movimentos sociais organizados têm consciência de que as reivindicações populares só poderão ser atendidas quando for mudado o rumo da política econ ó mica, até hoje a serviço do grande capital. A experiência dos movimentos sociais, ao longo dos últimos 50 anos, ensina que somente a pressão política, social ou moral pode conquistar melhorias em sua vida cotidiana. .r É necessário construir um novo projeto alternativo para o país, que represente uma plataforma unitária antineoliberal e que junte todas as forças antineoliberais. Um projeto alternativo deveria ser construído sobre a base de três pilares: a - nacional: no sentido da solução dos problemas nacionais, do desenvolvimento do mercado interno e da soberania para construir projetos de integração regional e superar a dependência do capital estrangeiro; b - social: no sentido de garantir trabalho para todos e condições de vida básicas, aumentando o salário mínimo, tomando medidas de combate desigualdade social e fazer a reforma agrária; l c - democrático: no sentido de garantir os direitos do povo de participar ativamente na política e poder decidir tendo mecanismos de participação popular e de controle sobre seus representantes. (Nas palavras de Fábio Comparato, "o povo tem apenas o direito de escolher hoje quem o vai trair amanha ".) Para e ntender a realidade expressa no texto de Jó 7.1-7 2.1-0 contexto do livro m : Jó é o povo de Israel no período pós-exílico, como nos relata a realidade injusta de Ne 5.1-13 (que viveu na mesma época em que foi composto o livro de Jó e retra í a essa realidade) e de Jó 24 e, por outro lado, mostra o que deve ser feito conforme Jó 29 e 31. Normalmente se fala apenas de Jó de forma individual, mas se olharmos o livro, ele, na pessoa do Jó, retraía a vida do povo massacrado pelo modo de produção tributário. O livro fala daquilo que está acontecendo no meio do povo sofrido. É a denúncia profética envolta na espiritualidade da fé em Deus. É o sistema económico tributário em pleno vigor persa, espoliando o povo e levando-o ao desespero e à miséria absoluta. Além da crise económica, havia a crise religiosa, que perguntava por que Deus deixou as coisas ficarem assim. O livro coloca Jó em três fases: a situação privilegiada, a provação e a regeneração. 2.2 - O texto de Jó 7.1-7 O texto fala da dura realidade da vida do povo: v. l - A vida é dura e o trabalho é pesado, como o do diarista. (A Tradução Ecuménica da Bíblia fala em corvéia - trabalho forçado prestado pelos camponeses como imposto ao Estado, tanto em obras públicas como em servir no exército. Por isso o termo usado pode significar soldado ou assalariado.) v. 2 - A escravidão. w. 3-4 - A insónia por causa do sofrimento que o próximo dia vai trazer. v. 5 - A doença torna a pessoa repulsiva - é a degeneração física em consequência da espoliação. v. 6 - Os dias passam rapidamente devido ao trabalho duro e sofrido e não há esperança à vista. v. 7 - A vida é curta, sem felicidade e sem esperança. Esses são o grito e a realidade do povo de Israel sob o domínio persa; semelhante ao povo latíno-americano sob o jugo do capital e da dominação política, económica, cultural e militar dos EUA. Temos tudo isso no Brasil e também não sabemos quando isso vai acabar, pois a mobilização popular ainda não tem força e poder suficientes para mudar essa situação. Aqui Jó faz uma leitura da realidade do nosso próprio povo brasileiro: da desesperança e da falta de perspectivas, parece que nunca váo acontecer mudanças profundas. O livro de Jó fala daquilo que está acontecendo no meio do povo de Israel. Cabe a nós também falar daquilo que está acontecendo no meio do nosso povo, se é que temos a chave correta para ler a realidade. Normalmente essa chave está guardada e escondida a sete chaves em nossa igreja. Muitos ainda crêem que não existe a luta de classes na sociedade e muito menos na igreja. Santa ingenuidade ou fuga da realidade? Consegu i mos ver e ler a realidade do nosso mundo p ê los olhos de Jó? A realidade do texto já aponta para o período da paixão (de Cristo, o Servo Sofredor), que esta próximo. 3.1 -Marcos 1. 29-39 O texto espelha a realidade de Jó: doença, miséria, exclusão social, já aponta por intermédio de Jesus para a saída que é o reino de Deus em construcão pela cura, pelo afastamento da miséria e pela inclusão das pessoal na vida social e comunitária. Mostra também uma nova espiritualidade na oração, que fortalece na luta contra o sistema deste mundo que impõe a miséria e o sofrimento. Aponta para a itinerância de Jesus para a mobilização em anunciar o novo projeto de vida que é o reino de Deus. Há esperança aqui e agora e para o futuro, o que náo aparece em Jó. 3.2 - 1 Coríntíos 9.16-23 Diante da realidade miserável do povo não temos opção a não ser anunciar que há esperança e que as coisas vão mudar e que o sofrimento não é vontade de Deus e nem é eterno. Não anunciar o evangelho é perpetuar o sofrimento e a desesperança, é negar a fé em Jesus Cristo. Aqui a liberdade total concedida por Jesus Cristo empurranos para os sofridos e desalentados. É a identificação com os fracos para acabar com a fraqueza que a miséria gerou. Aqui há esperança pelo empenho em anunciar a nova realidade criada pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. A prédica O texto aponta para a denúncia profética: - do sofrimento e da exploração do trabalhador (camponês); - da desesperança de uma vida sofrida sem futuro; - do grito contra a opressão do trabalho e da doença; - da dupla exploração: império persa e ricos israelitas (Ne 5) - hoje capitalistas nacionais e internacionais. Relacionar tudo isso com as situações análogas de hoje. Acrescentar e relacionar com as leituras do NT que trazem nova esperança, pois o texto de o não aponta esperança. O que Jó descreve é a realidade de milhões de pessoas no Brasil. E a conjuntura atual não aponta para uma mudança a o prazo dessa vida de Jó do nosso povo subjugado pelo capital nacional e internacional. Proponho interrelacionar os textos, pois Jó não aponta saídas e nem esperanças. Os textos do NT apontam para a prática de Jesus Cristo e da esperança vinda dele, propalada por Paulo. O desafio é fazer a comunidade ouvir o clamor e ver as chagas dos Jós de hoje e que estão dentro de seus próprios muros. Os camponeses (também operários) vivem falando da exploração a que estão expostos, mas poucos se encorajam a aliar-se aos movimentos populares camponeses da Via Campesina. Só lamentam, mas são contra a organização do povo empobrecido pelo capitai por causa do medo e da alienação. Por isso a IECLB ainda não conseguiu viabilizar as pastorais que acolhem os desalentados de nossas comunidades e fora delas. Falta clareza teológica, que o povo nunca terá enquanto a igreja não iniciar um processo de formação permanente. A igreja ajuda a perpetuar a miséria de Jó pela sua omissão diante das chagas do seu próprio povo. A igreja vive a realidade de Jó em sua prática eclesial - não mostra e nem vive a esperança por medo da cruz. Não consegue deixar claro e tem medo de dizer que a origem do sofrimento do povo é o capital. O nosso povo também não quer ouvir isso, pois reproduz o sistema capitalista e quer perpetuá- lo achando que não há outro projeto de sociedade além do projeto capitalista. São as palavras de Jó na prática da vida - não há esperança e não há saída. Cabe a nós dizer que há saídas e que há esperança, pois somos servos libertos por Jesus Cristo que assumem a cruz na luta contra a opressão. A liturgia Versículo de entrada: Queremos iniciar nossa celebração com a palavra da Sagrada Escritura de l Co 4.5, que diz: "O Senhor não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações " . Confissão de pecados: l Jo 1.8-9 diz: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nos. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". Por isso, agora em silêncio, cada um pode colocar diante de Deus os seus pecados bem pessoais. Confessamos, Senhor, que pedimos muito e agradecemos pouco por tudo o que diariamente recebemos de ti. Confessamos, Senhor, que ficamos indiferentes diante dos pro-blemas e dificuldades de nossos semelhantes, como se eles não existissem. Confessamos, Senhor, que nos falta sempre de novo a humildade e paciência, principalmente em relação a pessoas exploradas, idosas, fracas e enfermas. Absolvição: O onipotente e misericordioso Deus sempre teve compaix ão de nós. Ele deixou que seu Filho unigénito fosse entregue à morte por nós na cruz, perdoa-nos de graça todo o pecado e nos dá a salvação por graça e fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso anuncio o perdão dos teus pecados com a palavra de Deus do SI 97.11-12, que diz: "A luz difunde-se para o justo, e a alegria, para os retos de coração. Alegrai-vos no Senhor, ó justos, e dai louvores ao seu santo nome". Kyrie eleison: Diante desse gesto glorioso de Deus em nos absolver de todo pecado, nós temos que admitir que ainda continuamos vivendo neste mundo em meio a dores, sofrimentos, exclusões, injustiças e violências; essas dores do mundo nós queremos agora trazer perante Deus. Pela grande angústia e desespero que o desemprego está causando em nosso país. Pelo sucateamento do sistema de saúde que deixa o povo sem assistência e desamparado em sua doença e sofrimento. GÍoría ín excelsis: Deus é fiel. Ele escuta o clamor do seu povo e vem a nós nos sacramentos e na sua palavra, como lei e evangelho. Por isso queremos anunciar a glória de Deus e declarar a sua vitória por meio de seu Filho Jesus Cristo, que ele ressuscitou. Deus Todo-Poderoso, te exaltamos pela saúde que temos, não ape-nas a nossa, mas de toda a nossa família. Deus, Todo-Poderoso, te exaltamos pelo pão de cada dia que pode-mos desfrutar em nossa família. Deus, Todo-Poderoso, te exaltamos pe los amigos e amigas que nos amparam e apoiam em todos os momentos. Deus, Todo-Poderoso, te exaltamos por poder estar juntos e desfrutar de tua palavra. Oração do dia: Esteja entre nós, Senhor, para que a nossa mente esteja aberta para a palavra que iremos ouvir agora. Que teu Santo Espírito esteja entre nós e nos fortaleça para que possamos viver essa palavra no dia-a-dia de nossas vidas. Que essa palavra nos anime a viver e proclamar a proposta do teu reino. Amém. Oração geral da igreja: Queremos trazer agora perante Deus as nossas intercessões. Oremos: Senhor, inter-cedemos pelos dirigentes tanto do município como do estado e do país, para que tenham a tua sabedoria em suas decisões e para que trabalhem pelo bem de todo o povo e não somente para um pequeno grupo. Oramos, Senhor, pelos jovens para que não caiam nas tentações e ilusões que as drogas oferecem. Dê a pais e mães a sabedoria para que não sejam eles que tragam as drogas para os seus filhos por meio do seu consumo de bebidas alcoólicas e fumo. Oramos, Senhor, pelos casais para que possam fortalecer o seu amor e fidelidade constantemente. Oramos, Senhor, para que nós possamos trazer alento às pessoas que estão enlutadas, doen-tes, desempregadas, sem esperança e sem terra. Amém. Bibliografia BÍBLIA - Tradução Ecuménica (TEB). São Paulo: Edições Loyola, 1994. BÍBLIA VOZES. Petrópolis; Vozes, 1985. EQUIPE DO CEBI-MG. A Impaciência de Jó. Encontros para círculos bíblicos e semanas bíblicas. In: A Palavra na Vida n° 101. São Leopo l do: CEBI, 1996. PEGORINI, Nilson I. e OLIVEIRA, Paulo Quiquita de. Proposta de Roteiro para Estudo do Livro de Jó. In: A Palavra na V i da n° 103. São Leopoldo: CEBI, 1996.
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El Consejo Latinoamericano de Iglesias es una organización de iglesias y movimientos cristianos fundada en Huampaní, Lima, en noviembre de 1982, creada para promover la unidad entre los cristianos y cristianas del continente. Son miembros del CLAI más de ciento cincuenta iglesias bautistas, congregacionales, episcopales, evangélicas unidas, luteranas, moravas, menonitas, metodistas, nazarenas, ortodoxas, pentecostales, presbiterianas, reformadas y valdenses, así como organismos cristianos especializados en áreas de pastoral juvenil, educación teológica, educación cristiana de veintiún países de América Latina y el Caribe. |