2 o Domingo da Páscoa
Tema: As feridas do Ressuscitado
Prédica: João 20.19-31 (Teol. de Tomé)
Leitura: 1 João 5.1-6 ((Atos 3.13-15, 17-26)).
A graça de nosso Senhor, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam convosco. Amém.
Hoje somos todos convidados a refletirmos / meditarmos sobre o sentido das feridas de Jesus e suas implicações para os dias de hoje.
Quero ler do Evangelho de João 20.19-31, um texto que nos desafia a entender "as feridas de Je-sus".
"Naquele mesmo domingo, à tarde, os discípulos de Jesus e estavam reunidos de portas trancadas, com medo dos líderes judeus. Então Jesus apareceu, ficou no meio deles e disse: Que a paz esteja com vocês! Em seguida lhes mostrou as mãos e o lado. Quando eles viram o Senhor, ficaram muito alegres. Então Jesus disse de novo: Que a paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês. Depois soprou sobre eles e disse: Recebam o Espírito Santo. Se vocês perdoarem pecados de al-guém, esses pecados são perdoados; mas, se não perdoarem, eles não serão perdoados. Quando Jesus apareceu, não estava com eles um dos seus discípulos, Tomé, chamado de o Gêmeo. Então os outros dis-cípulos disseram a Tomé: Nós vimos o Senhor. Ele respondeu: Se eu não puder ver o sinal dos cravos nas mãos dele, se não tocar ali com o meu dedo e também se não puser a minha mão no lado dele, não acre-ditarei! Uma semana depois, os discípulos de Jesus estavam outra vez reunidos ali com as portas tranca-das, e Tomé estava com eles. Jesus apareceu, ficou no meio deles e disse: Que a paz esteja com vocês! Em seguida disse a Tomé: Ponha aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a mão e ponha no meu lado. Pare de duvidar e creia! Exclamou Tomé: Meu Senhor e meu Deus! Jesus disse: Você creu porque está me vendo? Felizes os que crêem sem ver! Jesus fez diante dos discípulos muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele".
Prezada Comunidade!
O peso da aparição por parte de Jesus ressuscitado não está na prova do milagre da ressurreição, mas sim na demonstração das feridas do Ressuscitado. Toda esta história de Tomé gira em torno das feri-das de Jesus!
Qual seria, então, para nós o sentido desta história, em Jesus, o Ressuscitado, aparece diante de Tomé, mandando-o colocar sua mão em suas feridas?
Creio que esta história nos ensina que a fé em Jesus ressurreto e também o testemunho da Páscoa, torna-se vão e fútil, quando nega para si o contato físico com o sofrimento. A verdadeira fé em Jesus Cris-to não afasta do crer o sofrimento da luta; do crer a necessidade da luta pelo Reino de Deus!
Nós não encontraremos o ressurreto, se não O procurarmos entre os crucificados deste mundo.
Vejamos bem: Apesar de estarmos muito bem informados sobre a miséria pelos meios de comuni-cação, dificilmente chegamos a mudar o nosso próprio comportamento. Este muda quando tomamos par-te, nos envolvemos com os que sofrem.
Nós acreditamos no Ressurreto, mas ainda existe pouca compaixão e pouca misericórdia de verdade para com suas feridas, isto é, com suas feridas nos miseráveis deste mundo. Nossa fé mostra-se teórica e fraca!
Jesus mostra suas feridas e insiste no contado físico com elas para com Tomé, para que nós che-guemos, cada um no seu lugar, a nos importarmos com as feridas do sofrimento e a partir disso chegar-mos à mudança e transformação, iniciando pelo arrependimento (= reconhecimento de culpa), pedido de perdão e mostrando que é para valer, também no engajamento verdadeiro!
Se, de fato, não nos engajarmos em favor da vida, ainda que nós nos declaramos cristãos, jamais compreenderemos o Deus verdadeiro. Precisamos, de fato, sentir os sinais da crucificação nos "Gólgotas" do nosso mundo.
É preciso tocar com as próprias mãos estas suas feridas, para realmente chegar a um testemunho vi-vo da fé nEle. Esta fé, que nos diz que vale a pena lutar, não pode ficar sem prática. Porém, quando não tocamos em suas feridas, ou seja, não sentimos os sinais de suas feridas nos corpos torturados de todos os miseráveis do nosso mundo, aí nós não mudamos a nossa vida.
É a partir desta compreensão, que podemos entender Jesus falando do julgamento (Mt 25.34-45). E Ele diz aos salvos que quando eles deram comida aos famintos, água aos sedentos, acolheram (= recebe-ram) o estrangeiro em suas casa, vestiram quem estava sem roupa e visitaram doentes e presos, - fizeram isto ao próprio Cristo. E Jesus diz aos condenados que quando eles deixaram de ajudar a uma pessoa que passava necessidade e sofrimento, de fato, foi a Jesus que deixaram de ajudar.
Tudo isto serve para nós ver que ao crente em Cristo não pode ficar indiferente para com os sinais de crucificação que existe neste mundo. E estes sinais tem se multiplicado. Jesus hoje está "pregado" não só nas mãos e nos pés, mas também na boca pela falta de testemunho oral, na língua pelo pouco louvor a Deus, no estômago pela fome, na cabeça devido a pouca educação, no coro pela falta de roupas para o fri-o; nos olhos pela falta de visão, no coração pela pequenez de fé, nos braços pela falta de ação,...
"Quem tem olhos para ver", diz Jesus, "que veja";
"Quem tem ouvidos para ouvir que ouça - o que o Espírito Santo diz à Igreja!"
É preciso lembrar-se: "Quem ama a Deus-Pai também ama os filhos desse Pai".
Se alguém diz: " 'Eu amo a Deus' mas não demonstra amor ao seu irmão, é mentiroso. Porque nin-guém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar a seu irmão a quem vê".
Se nos nossos irmãos de fé estão os sinais do crucificado, cabe a nós demonstrar o amor concreto e assim cumprir a lei de Cristo. Amém.
Reneu e Vera Prediger
Paróquia de Barranco.
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