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La Red de Liturgia es una iniciativa latinoamericana que nace en 1991 de la mano del pastor brasileño Ernesto Barros Cardoso, como una manera de crear lazos firmes entre las personas que deseaban compartir sus experiencias en este terreno de la vida eclesial.
SALMO 149 APOCALIPSE 1.9-20
JOÃO 20.19-31
Wilhelm Wachholz
1
Salmo 149
O Salmo enriquece o culto sob a perspectiva da alegria. A comunidadeé convidada a cantar, louvar, regozijar, exultar pela salvação
ofertada. Em João, a aparição de Jesus aos discípulos provoca alegria
(20.20). Que tal atender o convite do salmista e engajar pessoas da
própria comunidade que tocam “flautas, adufe e harpa”, isto é, instrumentos,
de forma que o culto possa ser uma “explosão de alegria”?
2
Apocalipse 1.9-20
Os principais paralelos do texto de João e do Apocalipse poderiam
ser as portas trancadas dos discípulos (medo) e a tribulação de João na
situação da Igreja perseguida; o primeiro dia da semana, domingo (Jesus
ressurreto aparece aos discípulos), e o dia do Senhor (Deus fala a
João); o escrito no Evangelho de João (com a finalidade “para que
creiais”) e a voz que manda João escrever às setes igrejas (testemunho);
oferta da “paz seja convosco” do Cristo ressurreto e do “não temais”
do Cristo que esteve morto.
3
João 20.19-31
Introdução
A subdivisão comumente aceita do período é tríplice: 1 – a aparição
de Jesus aos discípulos, que se subdivide em duas partes: a) a
aparição propriamente dita e a alegria dos discípulos e b) o envio dos
discípulos para perdoarem pecados devidamente autorizados pelo Espírito
Santo – v. 19-23; 2 – Jesus e Tomé (a bem-aventurança dos que
crêem) – v. 24-29; e 3 – a finalidade do Evangelho – v. 30-31.
Analisando o texto
v. 19 – A aparição de Jesus aos discípulos ocorreu numa casa não
especificada. Sabe-se somente que foi em Jerusalém (diferentemente
da Galiléia, anunciada em Mc 16.7). Segundo João – e isto para ele é
muito importante –, a aparição ocorreu ainda no próprio domingo da
Páscoa, dia da Ressurreição. Segundo 1 Co 15.5, Cristo aparecera oficialmente
aos doze. Segundo Lc 24.33-36, a aparição ocorrera aos onze e
aos “outros [que estavam] com eles”, além dos companheiros que voltaram
de Emaús. A questão que se coloca é se “discípulos” (v. 19, 20,
25, 26) designa somente o colégio apostólico (os “doze”) ou abrange
um grupo maior. João conhecia a diferença entre o grupo mais restrito
dos “doze” e os “discípulos” num sentido mais amplo.
Até antes da aparição, os discípulos tinham conhecimento da ressurreição
de Jesus de forma mediada: através de Maria Madalena. A
referência às portas trancadas tem um duplo significado: aponta para
o medo dos discípulos diante dos judeus, que, para João, são representantes
da incredulidade. Também é motivo de tristeza para os discípulos.
Além disso, ainda expressa o perigo em que se encontravam os
discípulos, pois, não bastassem a perseguição e a “derrota” impostas
ao movimento de Jesus, eles poderiam ser acusados pelo roubo do cadáver
de Jesus (Mt 28.13). Neste clima de angústia e medo, o ressurreto
se coloca no meio deles e oferece paz.
O verbo “vir” (érkhesthai) é próprio das narrativas pascais de João:“Eu venho a vós” (Jo 14.18, 28). O verbo hístémi indica a posição de pé
(cf. 20.14; Lc 24.36) em oposição ao estado de quem “jaz”, ao estado de
morte (20.12). Portanto, reforça e exprime a ressurreição.
João não afirma que Jesus atravessou as portas trancadas. A referênciaàs portas trancadas aponta para o fato da ressurreição dos
mortos não se inserir nas leis humanas de espaço-tempo-mundo. A
ressurreição diz respeito à realidade de Deus e não às leis humanas.
Ela não é um retorno à velha vida deste mundo. “Paz seja convosco.” Não se trata de um desejo ou saudação simplesmente.
Paz é um dom. É uma oferta. Tem conotação litúrgica. Relaciona-
se com a ressurreição. A paz que o ressuscitado conquistou e oferta
foi conquistada e possibilitada através de sua paixão e morte. É paz que
expressa a reconciliação universal de Jesus com o mundo através da
vitória sobre morte e pecado. Trata-se, portanto, da paz plena que Cristo
deixa e concede e não da paz parcial e imperfeita do mundo (14.27).
v. 20 – João identifica o ressurreto com o crucificado. As chagas
são os sinais da identidade do Cristo crucificado. O ressurreto e glorificado
não aboliu as marcas do Cristo histórico. Não podem ser separados.
Desenraizar o Cristo da história leva ao perigo de uma teologia da
glória. As mãos e o lado de Jesus refletem as marcas do pecado humano.
O lado onde saiu água e sangue (19.34) pode ser relacionado com a
fonte da “água viva” (7.37s) e a “verdadeira bebida” (6.55).
Como forma de preparar o tema em torno da incredulidade de
Tomé, diferentemente do que em Lucas (24.36-43), os discípulos não
vacilam em reconhecer o Cristo naquele que ali se apresenta. A alegria
que toma conta dos discípulos tem origem na concretização da promessa
de Jesus: “[...] outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará,
e a vossa alegria ninguém poderá tirar” (16.22).
v. 21 – Pela segunda vez, Cristo oferta sua paz. Se, na primeira vez,
esta paz relaciona-se à reconciliação de Jesus com o mundo, agora ela
prepara os discípulos para a missão de também reconciliar. A experiência
pascal dos primeiros cristãos é precisamente esta: o ressurreto envia
seus mensageiros (Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 24.46-49; At 1.8). Em João, a
aparição de Jesus está vinculada ao “ato de fundação da Igreja”. Portanto,
a fundação da Igreja e o envio dos discípulos relacionam-se com a
realidade pascal da “paz e reconciliação”. A missão tem a finalidade de
proclamar ao mundo a “paz” conquistada e ofertada por Jesus.
As pessoas enviadas são como se fossem aquele que as enviou.
Representam não a si próprias, mas quem as enviou. Por isso têm o
mesmo poder de quem enviou. Constituem-se em autoridades de Jesus
no mundo. Mas esta representação só é plena se caminho trilhado,
vivência, testemunho de reconciliação, renúncia, humildade (p. ex., lavapés – 13.1-20) são condizentes. O envio, portanto, não se fundamenta
em “transmissão formal e canônica de poderes eclesiásticos especiais”,
mas é “sacerdócio geral de todos os crentes”; é serviço de amor, paz e
reconciliação.
v. 22 – A concessão, o dom do Espírito Santo, lembra o sopro de
Gn 2.7. Aqui, a dádiva do Espírito Santo também representa vida; vida
nova. Vida que vem de fora, de Deus. Qual a relação entre esta cena e
o Pentecoste (At 2)? Em ambos, o Espírito Santo inaugura o tempo da
Igreja. Mas é somente João que situa a dádiva do Espírito Santo no dia
da Páscoa. Neste sentido, João mantém claramente a unidade dos dois
tempos: Páscoa e dádiva do Espírito Santo. O próprio Jesus inaugura o
tempo da Espírito Santo.
v. 23 – A partir da paz ofertada (reconciliação) e da dádiva do
Espírito Santo ocorre o envio para perdoar pecados. Perdão de pecados
indica pacificação da vida, um novo tempo, a “nova chance”, a partir
da qual existe rompimento radical com o passado. O passado já não
conta mais. A justificação do pecador por Cristo mediante graça e fé é
o fundamento e a motivação para o envio. Graça experimentada é graça
testemunhada. Quem se sente reconciliado por Cristo também reconcilia
no mundo. Quem acolheu a paz de Cristo faz dela a fonte de
vida e denuncia a falsa paz. O perdão não se limita somente à aliança
entre Deus e o ser humano, mas se estende de forma horizontal (Mt
18.18). No momento em que a comunidade perdoa, Deus mesmo perdoa.
Somente existe Igreja verdadeira onde existe comunhão plena,
onde “os de fora” são convidados para “vir ao meio” (Mc 3.3).
v. 24 – Tomé estava ausente na primeira aparição de Jesus aos
discípulos. João deseja que o leitor – também nós – se identifique com
Tomé pelo fato de dispor somente do testemunho apostólico como fundamento
para crer. Ou seja, aqui já está implícito o que valerá para
todas as gerações pós-apostólicas, a saber, “bem-aventurados os que
não viram e creram”.
v. 25 – O elemento da dúvida é omitido no primeiro encontro do
ressurreto com os discípulos. Na relação com Tomé, ele constitui o ponto
de partida – nas duas outras vezes em que Tomé é citado por João
(11.16 e 14.5), é caracterizado como alguém que não compreendeu Jesus.
A reação de Tomé mostra o ceticismo natural do ser humano diante
da inédita vitória sobre a morte. Tomé queria sinais concretos do
ressurreto. No fundo, no entanto, a realidade de Tomé não é tão diferente
da dos demais discípulos. Antes de aparecer, também estes dependiam
do que Maria Madalena vira (v. 18). Assim também Tomé
dependia do que os discípulos viram.
v. 26 – Jesus aparece de novo “estando as portas trancadas”. O
relato da segunda aparição de Jesus é de tal forma construído, que a
presença de Tomé fica destacada. É novamente domingo, a saber, o
primeiro após a Páscoa. Muito cedo, este dia se tornara dia de reunião
habitual, de culto. Mais do que isso. A aparição do Jesus ressuscitadoé associada às assembléias eucarísticas da Igreja primitiva. A
presença (real) é relacionada à liturgia experimentada pela comunidade.
Por isso, a oferta de paz – terceira vez – tem significado litúrgico:
deveríamos resgatar a importância dessa saudação na celebração da
Santa Ceia.
v. 27 – Contrariamente à tradição, segundo a qual fé é um não-ver,
em João, o ver não se opõe ao crer, mas conduz à fé. Isto pode ser
percebido no fato de Jesus oferecer suas mãos e lado para que Tomé
tivesse uma “prova”. Neste sentido, “não sejas incrédulo, mas crente”
prepara as palavras que serão ditas posteriormente (v. 29). Além disso,
Tomé é colocado como pano de fundo para reforçar que a ressurreição
não foi uma invenção fantasiosa, mas um fato consumado.
v. 28 – Como os demais discípulos, Tomé reage ao “simples” ver
de Jesus, sem tocá-lo. Aliás, João sequer precisa detalhar a exigência
anterior de Tomé (v. 25), pois, ao chamar sua atenção (v. 27), Jesus
avisa que o importante não é apalpar, tocar, mas crer. Por isso, as três
aparições de Jesus relatadas por João centralizam a fé naquele que “se
fez carne e habitou entre nós” (1.14), para que a salvação fosse possibilitada
pela fé (3.16).
A experiência de Tomé suscita uma confissão de fé: “Senhor meu
e Deus meu!” O pronome possessivo “meu” indica que Tomé se rende
do seu “eu” cético e acolhe Cristo de forma decisiva. Ele não diz somente“Senhor” – kyrios, que também era de uso secular –, mas também
“Deus” (theós). Isto indica que o ressurreto tem semelhança essencial
com Deus, formulada no prólogo do evangelho (1.1).
v. 29 – Tomé creu porque viu. Ele é testemunha ocular. Gerações
futuras somente teriam Cristo, particularmente o evento pascal,
intermediado pela pregação – e administração dos sacramentos –, pois
não veriam o ressurreto (1 Jo 1.1-3). Diante disso, vale não o ver, mas o
crer. As testemunhas oculares – também Tomé – têm lugar importante
e positivo, pois o evangelho não relata algo imaginado, mas algo ocorrido.
Os discípulos são testemunhas de que o Cristo glorificado e invisívelé idêntico àquele cujas mãos e lado puderam ver. O elevado aos
céus não é outro senão aquele que se fez carne.
v. 30s – João desperta no leitor a impressão de que realizou uma
seleção de “sinais” operados por Cristo para redigir o evangelho. “Sinais”,
em João, são relacionados aos milagres de Jesus. Estes “sinais”
têm como objetivo suscitar fé e apontar para a unidade e comunhão
perfeita com o Pai (2.11; 10.38; 14.10s). Os discursos de revelação de
Jesus partem normalmente de um sinal realizado. Assim, os “sinais”
servem para que “Jesus, o Cristo, Filho de Deus” seja reconhecido e
associado à esperança messiânica judaica. O objetivo do evangelho,
portanto, não é escrever um “diário da vida de Jesus”, mas servir “para
que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo,
tenhais vida em seu nome” (v. 31).
Resumindo, Jesus toma a iniciativa de apresentar-se e de enviar
com seu Espírito Santo para perdoar, testemunhar paz e reconciliar
para que, sendo reconhecido e crido, haja “vida em seu nome”, isto é,
vida em abundância (10.10).
Encaminhando a prédica
A perícope suscita uma tríplice dimensão, que pode servir como
estrutura para a prédica: iniciativa, reconhecimento e missão.
1 – A iniciativa de Cristo em “pôr-se no meio” leva à transformações de
realidades.
Passaram-se oito dias desde a Páscoa. A “euforia” ligada às coisas
exteriores vai se apagando. A vida volta ao “normal”. Neste sentido,
este segundo domingo da Páscoa é uma excelente oportunidade para
lembrar a comunidade que as perguntas, os problemas, os sofrimentos,
os lutos, as angústias etc. serão dirimidas porque Cristo toma a
iniciativa de colocar-se no meio, de apresentar-se, de revelar-se, de
aproximar-se, de oferecer-se, de encontrar pessoas e comunidades em
sua realidade existencial. Ele oferece paz ali onde ela não existe. A
realidade dos discípulos ainda é a da Sexta-Feira da Paixão, apesar das
palavras de Maria Madalena.
Certamente esta também é a realidade
de grande parte das pessoas reunidas no culto. Medos, inseguranças,
resistências levam-nos a nos fechar em nossos guetos, a trancar-nos
atrás de nossas “portas” e reforçar cada vez mais as “trancas”. Cristo
não arrombou portas. Também o pregador e a pregadora não deveriam
fazê-lo com suas prédicas. Lutero disse certa vez: “Ninguém sabe o
que significa crer a não ser aquele cuja canoa vai sendo invadida pelas
ondas”. O pregador e a pregadora não deveriam ajudar a afundar a“canoa”, mas apontar que, em situações de desespero, a paz é possível
porque Cristo toma a iniciativa de colocar-se no meio. E ao colocar-se
no meio, ele transforma realidades.
A comunidade também não precisa ser “martelada” com a temática
da incredulidade. Dividir a comunidade entre os que têm e os que não
têm fé, pois quem se sentir excluído acabará trancando-se ainda mais
atrás de suas “portas” de insegurança, medo, tristeza. Lembremo-nos
de que, ali onde existe fé, não estarão necessariamente ausentes dúvidas
e provações.
Culto é lugar onde Deus vem servir a comunidade. Ele toma a
iniciativa de oferecer-se (Santa Ceia). Por isso, a prédica deveria auxiliar
a comunidade, talvez trancada atrás de “portas”, de que o Cristo
ressurreto vem oferecer paz. O culto seria extremamente enriquecido
se a Santa Ceia fosse celebrada. Oferecer-se-ia a possibilidade de experimentar
Cristo. Lembre-se daquela palavra de Lutero: “A Igreja é o
hospital e o sanatório para os doentes serem curados”.
2 – Reconhecer o Cristo ressurreto e glorificado suscita alegria.
A primeira questão que se levanta aqui diz respeito ao próprio
pregador ou pregadora. Qual é o seu grau de motivação, convicção e
alegria? Um pregador ou pregadora triste, desmotivado, não irá convencer
nem contagiar com alegria.
O ponto seguinte diz respeito à alegria na comunidade. Existem
sinais de alegria e testemunho dessa alegria na vida da comunidade?
Não se trata de uma alegria cega e alienante, que ignora as tristezas,
mas que justamente liberta. Cristo, que toma a iniciativa de “pôr-se no
meio”, é reconhecido e crido. E este reconhecimento provoca alegria.
Alegria imbuída de esperança de que a iniciativa de Cristo visa transformar
situações. Essa alegria não pode ser vivida em guetos. Ela transborda,
contagia, multiplica-se.
3 – A iniciativa de Jesus não visa satisfazer meras curiosidades humanas.
Também não se limita ao reconhecimento e à confissão, mas motiva
a sair do gueto, a destrancar portas. Permite o envio.
Confessar Cristo como “Senhor meu e Deus meu” não é sinônimo
de tornar Jesus um simples ídolo, um super-herói – exemplos desse tipo
existem aos montes. Tornar Jesus um ídolo paralisa. Serve somente para
cultivar uma “fé egocêntrica”, sem amor. Lutero diz: “Fé e amor perfazem
a natureza do cristão. A fé recebe, o amor dá; a fé leva a pessoa a
Deus, o amor aproxima dos homens. Através da fé ela aceita os benefícios
de Deus, através do amor ela beneficia seus semelhantes”. Reconhecer
Cristo, o ressuscitado, coloca em movimento, leva à missão alegre. Se a
dimensão do envio alegre não ocorrer, pessoas no máximo “pertencerão
à Igreja”, mas não serão a própria Igreja, que recebeu o “sopro” da nova
vida. Jesus liberta para colocar em movimento.
O envio tem como objetivo perdoar, reconciliar, a exemplo de Deus
em Cristo. Existem sinais de reconciliação e/ou necessidades de reconciliação
na comunidade? Reconciliação não se limita a desentendimentos
entre pessoas que “não vão com a cara do outro”. É muito mais
amplo. Implica sinais (!) de justiça, de paz verdadeira, de solidariedade,
de fraternidade, de consolo, de amparo. Neste sentido, o pregador
ou a pregadora pode arrolar iniciativas diaconais, catequéticas,
missionárias etc., existentes na comunidade, ou que poderiam constituir-
se em desafios para a reconciliação. Da mesma forma, apontar para
situações familiares, comunitárias, nacionais e mundiais que exigem
reconciliação.
A paz somente é verdadeira onde houver fé, esperança e amor.
Só então é possível proclamar, em meio à realidade de não-paz, que “a
fé é como um pássaro que canta quando a noite ainda está escura”. As
pessoas deveriam ser alertadas a não se conformar com a realidade
individualista e de não-reconciliação: “não tem jeito”. Pelo contrário,
devem ser fortalecidas na fé de forma que haja esperança de que aquele
ato de corrupção, assassinato, mentira, guerra etc. “foi o último”. Neste
sentido, uma pequena história pode ser ilustrativa: Um judeu italiano
que sobreviveu ao extermínio nazista em Auschwitz relatou um caso
de enforcamento naquele campo de concentração. Cada preso de guerra
era forçado a assistir à morte dos companheiros. Naquele dia, a vítima
respondia por um “crime” diferente: havia explodido um forno de
cremação em Birkenau. Segundos antes de ser enforcado por esse “crime”, aquele judeu se virou e gritou: “Companheiros, eu sou o último!”
Esta frase anunciava uma esperança: a libertação que viria, embora ele
não a pudesse experimentar. Quantas são, talvez, as pessoas que não
sobrevivem por falta esperança e sinais de paz de outros? A esperança
não deixa de anunciar: “Paz seja convosco”.
4
Subsídios litúrgicos
Hinos: Hinos do Povo de Deus, vol. 1: 59, 159, 200, 260; Hinos do
Povo de Deus, vol. 2: 402, 414, 434, 468.
Confissão de pecados: Senhor Deus, confessamos que somos pessoas
pecadoras que necessitam da tua graça. Temos dificuldades de
sair detrás dos guetos de nossas inseguranças, dúvidas, medos. Trancamos
as portas de nossas vidas, achando que assim estaremos seguros.
Clamamos a ti: Senhor, por meio de Jesus Cristo, vem, coloca-te no
meio de nossas vidas, na vida de nossa comunidade, perdoa-nos, reconcilianos contigo e entre nós mesmos. Concede-nos a tua paz e o
teu perdão. Amém.
Oração de coleta: Amado Salvador. Agradecemos que em Jesus
Cristo tomaste a iniciativa da reconciliação. Rogamos: não cesses de
oferecer-nos a tua paz todos os dias. Ilumina-nos para que cheguemosà verdadeira convicção da tua ressurreição e testemunhemos em alegria
o teu amor. Por Jesus Cristo, que contigo e com o Espírito Santo
vive e reina eternamente. Amém.
Bibliografia
BLANK, Josef. O Evangelho Segundo João. 3ª parte. Petrópolis: Vozes, 1991. p. 172-187.
(Novo Testamento, 4/3)
LÉON-DUFOUR, Xavier. Leitura do Evangelho Segundo João IV (capítulos 18-21). São Paulo:
Loyola, 1998. p. 163-191. (Bíblica Loyola, 16)
NICCACI, Alviero; BATTAGLIA, Oscar. Comentário ao Evangelho de São João. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1995. p. 258-265.
VOIGT, Gottfried. Der Schmale Weg. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1978. p. 232-239.
(Homiletische Auslegung der Predigttexte; Reihe I)
______. Licht-Liebe-Leben; das Evangelium nach Johannes. Göttingen: Vandenhoeck &
Ruprecht, 1991. p. 280-285. (Biblisch-theologische Schwerpunkte, 6)