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Lucas 12.13-21
Carlos Romeu Dege
Prezada
comunidade!
O texto do
evangelho mostra que um homem procura a Jesus. O motivo: pedindo ajuda
para resolver um problema de herança que o pai dele havia deixado
a ele e ao irmão. Nós logo podemos pensar: está aí
um problema complicado. Talvez até já enfrentamos esta dificuldade
em família. Problemas por causa de herança são muito
comuns. Famílias inteiras as vezes são dilaceradas porque
não conseguiram entrar em um acordo diante de uma herança.
Em muitos casos, ou melhor, na grande maioria dos casos a herança
deixada traz muito mais problemas do que alegrias. É normal ver
diante desta questão irmãos, cunhados, brigando literalmente.
Mas este problema não é exclusivo de nosso tempo. Jesus
Cristo vai direto ao ponto. Diante da queixa do homem sobre o seu problema
com herança, Jesus diz: - Homem, quem me deu o direito de julgar
ou de repartir propriedades entre vocês? A intenção
de Jesus é mostrar claramente que não veio para “resolver”
assuntos que passam pela paixão humana. Assuntos movidos por interesses
particulares, momentâneos.
Jesus vai além. Diz: - Prestem atenção! Tenham cuidado
com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não
depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas. Jesus mostra que
o assunto levantado é um problema causado pela mesquinhez, pela
avareza, pelo pão-durismo. Talvez para nós seja duro admitir,
mas é a mais dura e triste realidade. Com toda certeza este homem
estava se sentido lesado pelo seu irmão porque achava que deveria
receber mais. Se tinha razão ou não? Jesus mostra que nestas
discussões ninguém tem razão.
Lembro de uma divisão de herança. Os irmãos discutiram
de tal forma que foi preciso o pastor intervir. Na hora da divisão
dos bens da cozinha, onde as pessoas pareciam muito mais abutres do que
filhos da falecida, começaram a discutir porque havia só
um banquinho, um mochinho, o qual estava sendo cobiçado por todos.
Ali a avareza, a mesquinhez, falou tão alto que uma família
inteira, a qual se reunia em animados encontros familiares, onde juntos
assavam carne, cantavam, viam os filhos brincarem juntos, se viu cercada,
agora, de ódio, rancor... Não se visitaram mais, os filhos
não entendiam porque os pais não iam mais a casa dos tios.
Tudo por causa de... um banquinho. Quem tinha razão????
Jesus tem isto em mente. Por isso, para se fazer entender conta a história
de um homem que trabalhou, juntou posses, via em seu dinheiro a felicidade.
Tanto que quando se deu, finalmente, por satisfeito, disse: - Homem feliz!
Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos. Agora descanse,
coma, beba e alegre-se.
Infelizmente, ainda hoje, muitos pensam assim. Tem como alvo o dinheiro,
o seu próprio bem estar. Tem como meta construir patrimônio,
e, para isto, não importam os caminhos, os meios...
Mas para estes Jesus lembra: - Deus lhe disse: Seu tolo! Esta noite você
vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?
O salmista lembra: O ser humano, por mais importante que seja, não
pode escapar da morte...17 e quando morrer, ele não poderá
levar nada; a sua riqueza não irá com ele para a sepultura.
Quem não tem os olhos abertos para isto vive em ilusão.
Eclesiastes 1.2 diz: É ilusão, é ilusão, diz
o sábio. Tudo é ilusão.
Prezados irmãos e irmãs na fé. Cristo é
aquele que vem abrir os nossos olhos para que possamos olhar para a nossa
vida e refletirmos. Estamos vivendo na ilusão? Correndo atrás
do vento? Ou estamos optando por uma vida onde reunimos tesouros celestiais.
Riquezas que nem mesmo a morte pode tirar de nós? Será que
um banquinho vale a destruição de uma amizade, de um relacionamento
familiar? Será que qualquer valor vale a inimizade? Será
que a segurança financeira recompensa a nossa falta de tempo para
a família? Para os filhos? Será que uns trocados a mais
valem a pena para enganar o próximo? Será que uma disputa
política vale a desunião entre amigos, famílias???
O que precisamos? Encher nossa vida com a riqueza que vem de Deus. Amar
acima de tudo. Respeitar. Dar tempo para que as pessoas abram os olhos
e percebam o que de fato é importante. Bens materiais são
passageiros. Uma boa amizade, uma família, jamais. Nem mesmo a
morte pode nos separar.
Será que não está na hora de questionarmos os valores
que são ensinados? Os valores que vivemos em nossa família?
Será que hoje, Cristo, não está falando diretamente
ao meu, ao teu coração, dizendo: Abre os olhos. Não
viva na ilusão. Viva na amizade, na compreensão, valorize
o teu amigo/a, valorize a tua família, mesmo que tenhas de aceitar
muitas coisas que são difíceis, que momentaneamente te magoam.
Mas lembra-te que Cristo se entregou a morte por cada um/a de nós.
E nós cometemos muitas falhas, muitos erros. Com certeza magoamos
muito ao nosso Deus, mas, mesmo assim, ele não desiste de nós,
nos chama a abrirmos os olhos, a mudarmos, e nos assegura a ressurreição,
a vida. Será que não está na hora de agirmos assim
com o nosso próximo? Com o nosso irmão/ã, esposo/a,
filhos, pais?
Que Deus continue a nos guiar e mostrar que na verdade perde tudo aquele
que junta riqueza só para si, mas quem junta as riquezas que vem
da vontade de Deus, que vem para a coletividade, sabe que nem mesmo a
morte nos pode separar.
O que é o mais importante em nossa vida?
Estes valores já estão valendo? São realidade ou
sonho fantasioso? Talvez penses assim mas, quero tentar mostrar/provar
isto a ti. Vamos fazer um pequeno teste?
1. Diga o nome das cinco pessoas mais ricas do mundo.
2. Diga o nome dos cinco últimos ganhadores do prêmio Nobel,
aquele dado para personalidades que se destacaram na ciência, economia
nos assuntos da paz, etc...
3. Agora diga o nome das cinco últimas Misses Universo. Lembrou?
4. Dê agora o nome de dez ganhadores de medalha de ouro nas Olimpíadas.
5. E para terminar, os últimos doze ganhadores do Oscar.
Como foi?
Lembrou de algum? Difícil, não? E olha que são pessoas
famosas, não são anônimas não!
Mas o aplauso morre, prêmios envelhecem, grandes acontecimentos
são esquecidos.
Agora tente outro teste:
1. Escreva o nome dos professores que você mais gostava.
2. Lembre de três amigos que ajudaram você em momentos difíceis.
3. Pense em cinco pessoas que lhe ensinaram alguma coisa valiosa.
4. Pense nas pessoas que fizeram você se sentir amada/o especial.
5. Pense em cinco pessoas com que você gosta de estar.
Mais fácil
esse teste não?
Sabe qual é a moral da história?
“As pessoas que fazem diferença na sua vida não são
as que têm mais credenciais, dinheiro ou prêmios. São
as que se importam com você!”
É
isto que Cristo nos ensina.
Amém.
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