Missionários Claterianos
Primeira leitura:Sabedoria 9, 13-18
Quem pode conhecer os desígnios do Senhor?
Salmo Responsorial:89, 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17
Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.
Segunda leitura:Filêmon 9b-10. 12-17
Recebe-o, não mais como escravo, mas como um irmão querido.
Evangelho:Lucas 14,25-33
Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!
O Evangelho de hoje poderia ser estruturado em duas partes, tomando-se como referência as duas “renúncias”: a primeira (14, 25-27), renúncia a tudo o que se ama; a segunda parte (14, 28-30), renúncia aos bens materiais. Trata-se das implicações exigidas pelo seguimento. Jesus caminha para Jerusalém (para o momento mais importante de sua entrega); é a temática de fundo de toda esta seção (9, 51-19,27).
É neste contexto onde soam as condições de um seguimento radical. Os projetos humanos, a família, os interesses e ambições pessoais, contrastam com o chamado feito por Jesus. Por isso o crente, o discípulo de Jesus, a comunidade, deve rechaçar, “odiar” tudo aquilo que se constitui em impedimento ao seguimento. Se alguém não está disposto a assumir estas condições, simplesmente não reúne as condições necessárias para o projeto do Reino.
As exigências do seguimento expressam como único planejamento permitido ao cristão, à comunidade, é o fato de renunciar absolutamente a tudo em função deste seguimento.
Talvez mais que carregar o tom da renúncia, seria mais conveniente, ao menos inicialmente, falar da opção que totaliza a inteira existência cristã. O seguimento é o projeto por excelência diante do qual todo projeto humano cai por terra ou simplesmente passa a um segundo plano. Trata-se de uma opção que chega até à raiz mesma da pessoa e a projeta para o ideal mais alto e elevado. É então quando podemos falar de paixão pelo Reino, pelo seguimento de Cristo, pelo Evangelho. E quando alguém se apaixona por algo, a renúncia se torna simplesmente leve, perde essas dimensões que a tornam difícil, tornar-se um jugo suave e carga leve. Tal opção se converte na pérola ou no tesouro escondido pelo qual se vende tudo o que se tem para adquirí-lo, sabendo que tudo o mais nos será dado por acréscimo.
Assim é a vida cristã, uma opção de vida, de incalculável valor, que convém renovar cada dia, mediante todos os meios que temos à nossa disposição: a oração, a vida comunitária e fraterna, a escuta da Palavra de Deus, a proximidade com os necessitados, a caridade.
Num segundo momento pode-se propor a opção como exigência. Mas o Evangelho adverte sobre um perigo perante esta opção. Trata-se da possibilidade de perder o ideal, a mística, a paixão pelo seguimento. É então quando a opção se torna pesada e qualquer mínima exigência se transforma em carga pesada, um caminho íngrime ou uma porta estreita demais pela qual se deve passar. As preocupações da vida começam a minar a existência cristã, até de quem definitivamente tinha posto a mão no arado... e então passa-se a não servir para o Reino de Deus. Já não dá mais para ser discípulo.
É agora quando surge a necessidade de propor a opção como um projeto que exige cálculo e planejamento. O Evangelho nos põe antes do compromisso a visão clara e a capacidade de por na balança nossas possibilidades e disposição de vida.
O Evangelho de hoje nos apresenta duas parábolas, que dão um sabor sapiencial e ilustram esta realidade. Trata-se de um planejamento e previsão: assim como alguém que vai construir uma casa ou uma torre, o cristão deve sentar-se e examinar, calcular, avaliar, programar, para ver se está em capacidade e em condições de iniciar e levar a cabo até o fim, este ambicioso projeto. Iigualmente como o rei que planeja cuidadosamente uma guerra; senta-se para discernir se com dez mil homens poderá enfrentar quem o ataca com vinte mil. O ensinamento é claro e contundente: ser discípulo de Cristo é um compromisso bastante sério que exige uma entrega total da vida. Melhor seria não lançar-se a tal compromisso se não se está disposto a assumí-lo até às últimas conseqüências.
Quantos, depois de um retiro, uma convivência, um encontro de fé, iniciaram entusiasmados a vida cristã e logo ao ter que enfrentar a dura realidade da vida terminaram pior do que no início? São como aquela terra cheia de espinhos da parábola do semeador. As preocupações da vida, as ambições do dinheiro e as paixões afogam a boa semente e impedem-na de produzir frutos.
Não esqueçamos que Deus não nos pede algo maior do que permitem nossas capacidades. Ele mesmo cuida de nós de nos capacita com seus dons. Toca a cada um de nós pôr este pouco ou muito que está ao nosso alcance, para garantir o êxito deste projeto de vida. E ele mesmo que iniciou em vocês esta boa obra, ele mesmo a levará a bom termo.
Para a conversão pessoal
Em meu seguimento de Jesus, como foi o meu discernimento para assumir os valores do Reino? Aceitei fielmente as exigências de Jesus para seguí-lo?
Para a reunião da comunidade ou grupo bíblico
- Jesus continua chamando para seguí-lo, com algumas condições e exigências. Quais serão essas exigências para o nosso tempo? O que significará desprender-se dos vínculos familiares? Como assumimos esta exigência cristã de carregar a própria cruz?
- Diante de um sistema mundial que não tem escrúpulos de abandonar os pobres e propiciar o crescimento econômico de uns poucos, não valerá a pena tomar o exemplo do Evangelho e pôr-se a pensar e programar, para depois agir em favor da Vida? Como poderíamos nos organizar para ir contra a exclusão atual?
Para a oração dos fiéis
- Para que os homens e mulheres se comprometam a viver desde agora os valores do Reino, roguemos ao Senhor...
- Por todas as organizações populares que buscam a vida de suas comunidades, para que neste esforço consigam superar os conflitos que isto acarreta...
- Para que nossa comunidade cristã aceite a partir do discernimento as exigências do seguimento de Jesus...
Oração comunitária
Deus, nosso Pai, que em Jesus vos aproximastes de nós e no-lo propusestes como modelo e Caminho: ajudai-nos a escutar o seu convite para seguí-lo, e dai-nos coragem e amor para deixar tudo por sua Causa e seguí-lo efetivamente, pelo mesmo Cristo nosso Senhor.
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