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Proclamar Libertacao 22

2° DOMINGO DE ADVENTO
ISAÍAS 40.1-11; 2 PEDRO 3.8-14; MARCOS 1.1-8

João Batista de Souza

Contexto

1 ) Autoria e data da composição do Evangelho:

O Evangelho de Marcos é considerado o mais antigo entre os sinóticos. Foi escrito por João Marcos, um discípulo de Jerusalém (At 12.12) que auxiliou nos ministérios de Paulo, Barnabé e Pedro (At 12.25; 15.37-39; 1Pe 5.13). Redigiu seu Evangelho na cidade de Roma, por volta dos anos de 68 a 70.

2) A comunidade cristã em Roma:

A comunidade cristã existente em Roma era pequena e pobre. Pertencia, já, a segunda geração dos cristãos. De composição variada, integrava cristãos de origem judaica e gentílica. Eram escravos, livres, pequenos comerciantes e artesãos. Provavelmente foi fundada por volta dos anos 40 d.C. Reuniam-se nas casas e as mulheres ocupavam cargos de liderança (Rm 16.11-15).

3) Aspecto político:

Os imperadores mantinham a famosa política da "paz romana", que era uma forma de proteção aos reis súditos e amigos de Roma. O Império era o promotor da paz. Contra o povo, também usaram a não menos famosa política do pão e circo. A pretensão de Roma era a de dominar o mundo.

4) Aspecto social:

Era uma sociedade injusta, dividida em classes fechadas: ricos, livres, escravos e pobres. A maioria da população era composta de escravos. Tendo em vista o lato de ser a capital do Império, Roma era uma cidade cosmopolita. A população sofreu muito com as brigas sangrentas pela sucessão ao trono de Nero.

5) Aspecto religioso:

A comunidade cristã, no princípio, gozava de alguns privilégios do Império por ser considerada integrante do judaísmo. Mas, em 49, o imperador Cláudio expulsou da capital os judeus e os cristãos. Por volta do ano de 54 em diante, a comunidade sofreu dura perseguição do govern o de Nero. Muitos cristãos morreram por negar o culto ao imperador. O título de Senhor deveria ser atribuído somente a Jesus.

Roma adotou uma política de levar para a capital os deuses e as deusas dos povos por ela dominados, favorecendo, assim, certo sincretismo religioso.

6) Aspecto económico:

A atividade agrícola e a comercial eram bastante desenvolvidas. A mão-de-obra era escrava. Os impostos cobrados dos povos dominados garantiam parte do orçamento do Império.

2. O Texto

Nosso texto está inserido na parte introdutória do Evangelho, que tem por finalidade apresentar o ministério de Jesus, iniciando na Galiléia e finalizando em Jerusalém.

O v. 1 inicia afirmando ser Jesus o "Filho de Deus". Esta expressão tomou-se um atributo muito forte referente a Jesus, pois designa sua natureza divina e lhe confere a missão de ser o Salvador da humanidade. Assim, Jesus é o verdadeiro Messias que estava para vir.

Os v. 2 e 3 têm o objetivo de apontar, através das profecias antigas, que as boas novas proclamadas por Jesus vêm na continuidade da missão de seu precursor e são a culminação da fé judaica. O v. 2 é extraído de Ml 3.1 e o v. 3 é extraído de Is 40.3. Assim, o ministério de João Batista e o de Jesus possuem respaldo nas profecias.

O v. 4 apresenta João Batista como o precursor .. Este, de vida ascética, está atuando nas proximidades do rio Jordão e conclama o povo ao arrependimento e à penitência. O deserto desperta a memória do êxodo, cenário das revelações de Deus, da libertação do Egito e da conversão do povo.

João anuncia o juízo iminente de Deus (Mt 3.10) e realiza um batismo para arrependimento, como cumprimento da profecia de Ez 36.24-28. Ao proclamar este batismo, que traz a idéia de "meia volta", João Batista propõe um abandono do caminho falso para andar no caminho de Deus, que é um caminho marcado pela prática da justiça, do direito e do amor.

Os v. 5 e 6 relatam que muitas pessoas vão até João com o intuito de ouvi-lo e segui-lo. Inicia-se aqui o movimento do Batista, que se tomou muito forte ao lado do movimento de Jesus, causando muitas controvérsias nos primeiros tempos da Igreja.

Os v. 7 e 8 preparam o encontro de Jesus com o Batista. João reconhece a superioridade de Jesus e a diferença profunda entre os dois batismos. O batismo de João é para arrependimento e o de Jesus confere o Espírito Santo. Por outro lado, Jesus reconhece a missão de João Batista (Mc 11.30; Mt 11.9-10) e se submete ao seu batismo. Temos aqui o início de dois movimentos apontando e marcando a chegada do reino de Deus, mas guardando uma diferença fundamental entre si. João Batista pregava a iminência do juízo e Jesus pregava que o Reino era chegado. O Batista anunciava a espera e Jesus o cumprimento. O Batista se situa na esfera da lei e Jesus anuncia a graça abundante.

3. Prédica

3.1. Introdução

Animar a comunidade e pregar no Domingo de Advento, data que coincide com o "Dia da Bíblia" para as igrejas oriundas da Reforma religiosa do séc. 16, será, sem dúvida, uma tarefa gratificante.

A Bíblia é para os cristãos a palavra de Deus que corta profundo, que perfura, que divide, que toca na mente, na alma e no espírito, tomando claros os propósitos do coração (Hb 4.12). Assim, a celebração de hoje traz à nossa memória um dos pilares do movimento dos reformadores, que afirmavam que "somente as Escrituras" é que contêm a orientação correta e firme para a prática da fé cristã .

Neste domingo, a motivação da Palavra é um convite ao arrependimento, a uma mudança de mentalidade. É hora de dar meia-volta e caminhar na contra­mão da história. É hora de ir contra as falsas ideologias dominantes, pois o reino de Deus é chegado e precisamos vivenciar este momento novo na história da humanidade.

3.2. É Tempo de Dar Meia-Volta

Vivemos hoje entre o "já" e o "ainda não" do reino de Deus. Isto é, o Reino já irrompeu com o advento de Jesus, mas ainda não está estabelecido de forma definitiva. Neste período de espera, como é natural, vivemos entre tensões de expectativa do segundo advento, medo, indecisões mescladas com alguns momentos de tomada de posição mais firme. É um tempo marcado por altos e baixos na caminhada da Igreja. Isso ocorre porque nem sempre entendemos o tempo de Deus (2 Pe 3.8-13). Mesmo assim, somos a esperança de salgar e iluminar a sociedade.

Outro fator que contribui para o aumento da tensão na caminhada é o fato de que estamos inseridos numa sociedade, agora "pós-modema", onde proclamam o "fim da história" com a hegemonia do capitalismo neoliberal, que apresenta um falso reino de paz. Nosso Brasil vive um pouco desse falso reino com o Plano Real. Nesta conjuntura, muitas vezes a Igreja se encontra contaminada por essas ideologias, perdendo de vista os valores do verdadeiro reino de Deus.

Quando João Batista percebeu que era chegado o tempo de iniciar sua missão, começou seu movimento de precursor, conclamando o povo ao arrependimento, como um momento de preparação para começar a viver o novo tempo de Deus que estava para chegar. Da mesma forma, somos chamados hoje como Igreja a esse momento de arrependimento e penitência. Precisamos buscar o perdão e adquirir as forças do Espírito Santo para que possamos vivenciar e proclamar os valores do reino de Deus. Isto é, mesmo com pequenas ações, começando com os pequenos, os pobres, ir oferecendo alternativas de vida, de política e de economia. Tudo isto, na esperança e expectativa de que essa pequena semente nascerá, crescerá e mudará a sociedade. É hora de dar "meia-volta", mudar de mentalidade e mudar a direção dos nossos passos. É hora de ir para o deserto e resgatar a memória do êxodo, reexperimentando o poder do Deus libertador. Acontecerá, então, o derramar de sua graça perdoadora que nos moverá à produção de frutos e práticas que assinalem os valores do seu Reino.

Celebrar o Advento de Jesus é celebrar a presença de Deus em nosso meio. É receber seu Batismo que traz o Espírito Santo, que solidifica nossa fé e reanima-nos para a continuidade da caminhada. Receber o seu Espírito é ganhar a coragem dos profetas antigos e sermos os profetas e as profetisas desta geração. Ação profética é ação denunciadora das injustiças sociais, políticas, econ ó micas e religiosas.

Conhecendo a realidade da falsa proposta de paz e bem-estar social do regime capitalista neoliberal, que possui características da "paz romana", do "pão e circo" da época da comunidade cristã em Roma, também deparamos com um gigante que obscurece toda a perspectiva de uma reflexão mais libertadora sobre o evangelho a partir da América Latina, que ilude o povo, mantendo-o na ignorância. Muitas vezes, os cristãos também se iludem com esse falso reino e suas bênçãos, deixando de salgar, iluminar e fermentar a sociedade e a história.

A espera do Advento é um convite ao arrependimento, à mudança de mentalidade, à mudança de rumo. É um convite a dar lugar à ação do Espírito Santo que ilumina nossas mentes, nossos passos e nos dá a coragem de profeta para proclamar e implantar o reino de Deus.

4. Subsíd i os Litúrgicos

Acolhida:

* Saudação à comunidade.

* Convite à celebração: leitura do SI 105.1-8.

* Canto: A Reunião do Povo (SI 123).

Invocação:

* Canto: Santo! Santo! Santo! (Reginald Heber).

* Oração.

Processional de entrada da Palavra:

* Entrada da Bíblia ao canto do hino: Tua Palavra na Vida (Simei Monteiro).

Leituras bíblicas:

* Antigo Testamento: Is 40.1-11.

* Novo Testamento: 2 P é 3.8-14.

Confissão/Súplica:

* Canto: Oração de São Francisco (Pe. Iralla).

* Momentos de silêncio seguidos de breves orações.

Louvor congregacional:

* Cânticos à escolha da comunidade.

Partilha da Palavra:

* Mc 1.1-8.

Coleta de ofertas:

* Leitura: 2 Co 9.7.

* Canto: Chuvas de Bênçãos (James McGranahan).

Encerramento:

* Canto: Conosco Fica, Fiel Jesus (Martin Luther e Nikolaus S .).

* Bênção e envio.

5. Bibliografia

JEREMIAS, Joachim. T e ologia do Novo Te stamento. São Paulo, Paulinas, 1980. p. 72-77. KÜMMEL, Wmer Georg. S í ntese Te ológica do Novo T e stamento. São Leopoldo, Sinodal, 1983. p. 29-31. LOHSE, Eduard. Introduç ã o ao Novo T estamento. São Leopoldo, Sinodal, 1985. MOSCONI, lu í s. O Evangelho segundo Marcos. São Leopoldo, CEBI, 1989.

 

 
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