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Primeira leitura: Zacarias 9, 9-10
Eis que teu rei, humilde, vem ao teu encontro.
Salmo responsorial: 144, 1-2.8-11.13cd-14
Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!
Segunda leitura: Romanos 8, 9.11-13
Se, pelo Espírito, fizerdes as obras do corpo morrer, vivereis.
Evangelho: Mateus 11, 25-30
Eu sou manso e humilde de coração.

Os textos esclarecem a natureza do Reino de Deus e determina as pessoas que são suas principais beneficiárias. A compaixão de Javé manifesta-se mediante reabilitação dos caídos e soerguimento dos abatidos, como afirma o Sl 144,14. Por isto, o convite de Deus extensivo aos aflitos e cansados (Mt 11,28), a todos aqueles que, nas presentes condições do mundo, não tiveram a oportunidade de encontrar um espaço digno na vida.

A decisão concreta do Pai em sua revelação suscita expressões de intensa alegria e agradecimento em Jesus. Os beneficiários desta decisão não são os orgulhosos mestres do saber, que ocupam lugar privilegiado na estrutura social existente em cidades como Betsaida, Corozaim e Cafarnaum, mencionadas no texto precedente, nem qualquer outro tipo de sábios e entendidos. Ao contrário, as obras de Jesus, reveladoras de Deus encontraram adequada compreensão junto às camadas simples da população. Assim, as obras de Jesus manifestam o verdadeiro rosto de Deus. A força do conquistador (Alexandre Magno, no horizonte de Zc 9,9-10) não pode expressar adequadamente a vontade divina de realizar a salvação por meio de um Messias que vem para os pobres e que é Ele mesmo pobre ("humilde e montado num jumentinho") , capaz de destruir a prepotência de carros e cavalos e arcos de combate. Os sábios e entendidos não conseguem captar o sentido dessa inesperada intervenção divina, porque usam sua ciência como instrumento de dominação. Ao colocar a ciência a serviço dos próprios interesses, não podem tirar as conclusões a que o saber deveria conduzi-los. Conseqüentemente, fracassa a sabedoria de tais sábios e obscurece-se o entender desses peritos. A ciência de deveria ter-lhes servido de ajuda converteu-se, pela falta de sinceridade, em obstáculo à compreensão do agir divino.

A pureza, a limpeza de coração, ausente nesses inteletuais, é apanágio, isto é, propriedade característica, da vida das pessoas simples. Estes estão disponíveis a aceitar o "Senhor do céu e da terra", porque estão abertos a toda ação divina sem manipulá-la em favor de seus próprios interesses.

O orgulhoso, o confiado em suas próprias forças não pode entender as obras de Deus ligadas ao "Filho". Somente a partir da obediência filial, do reconhecimento de que nem tudo está permitido, se pode ter acesso ao coração de Deus. Os que se sentem autosuficientes devido aos seus bens, cultura e poder, fecham-se para a revelação de Deus, dado que esta, embora universal, exige uma compreensão e uma "simpatia" que só pode surgir de uma vida de abertura ao querer de Deus.

Somente graças à presença do Espírito Santo é possível desdobrir o rosto de Deus nessa dependência filial de Jesus. A jubilosa constatação dos efeitos produzidos pelo divino Espírito na vida do cristão - de que fala Rm 8,11 - torna possível uma existência realizada no âmbito da comunhão divina.

A íntima união entre o Pai e o Filho, a presença de Deus na atuação de Jesus ("Deus Conosco") só pode ser reconhecida graças à presença do Espírito na vida. O conhecimento de Deus não é tarefa intelectual que brote de um esforço de estudo nem da aquisição do conhecimento da Lei de que se gloriam os sábios e entendidos. É fruto de uma experiência filial, nascida na sintonia da própria vida com a vida de Jesus.

Daqui, o convite a todos os que em seu cansaço e abatimento experimentam suas carências. O ensinamento manipulador dos sábios é que produziu neles o sentimento de impotência. A eles se dirige Jesus e os convida a aproximar-se d'Ele, para encontrarem o descanso superador das fadigas experimentadas.

A lei proposta pelos sábios e entendidos é uma carga tremendamente onerosa para o povo. O legalismo farisaico havia convertido a relação com Deus a um conjunto de preceitos que dificilmente podiam ser cumpridos. Jesus, pelo contrário, sem diminuir as exigências, propõe aproximação suave a Deus mediante uma vida semelhante à sua. No reconhecimento filial da atuação divina, no alegre serviço que brota do reconhecimento de sua atuação no mundo e na história, pode-se descobrir a atuação reveladora de Deus. Por aqui se vê que esta não deriva do conhecimento e esforço que nascem do orgulho autosuficiente da própria ciência, mesmo que esta tenha o qualificativo de ciência religiosa. O conhecimento de Deus é aceitação alegre e espontânea de sua presença entre o homens por meio da ação salvadora. Somente os que se abrem a esta presença mediante atitude amorosa de acolhida podem desdobrir o rosto verdadeiro de Deus, que é Pai e nos chama à comunhão de vida em sua Família, por meio de Jesus, que nos popssibilita essa mística comunhão com a Santíssima Trindade comunicando-nos seu Santo Espírito.

Para a revisão de vida

Jesus diz "Vinde a mim vós todos que estais aflitos e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei". - Que canseiras sinto eu? Qual é a causa: o trabalho pelo Reino, ou meus interesses pessoais, meus egoísmos? Onde e como busco alívio?

Para a reunião de grupo

- "Eu te bendigo, Pai, porque revelaste estas coisas aos pequenos". Poder-se-ia entender esta frase como afirmação de que Deus fez "revelações especiais" aos pobres e simples. Mas, a que "coisas" se refere Jesus?

Orientação para as respostas: Jesus não se refere à revelação de "afirmações doutrinais", de "verdades reveladas", e sim a "coisas" do Reino. O Pai revelou as "coisas" do reino às pessoas simples, aos pobres... Provavelmente, não está falando de nenhum milagre, de nenhuma revelação positiva. Ele está referindo-se a algo facilmente comprovável: dada a natureza do reino de Deus, só o vêem com clareza (só entendem essas coisas) as pessoas simples, os que têm coração de pobre, os que não deixam o egoísmo obscurecer a transparência do olhar ...

- "Porque revelaste estas coisas...". A palavra de Jesus pode ser ocasião para revisar o conceito de "revelação". Em muitos setores do povo cristão, revelação é entendida como algo quase mágico: uma revelação que vem de fora, do alto, extrínseca, uma espécie de milagre sobrenatural, cujo conteúdo vem como um pacote pronto e fechado, alheio a toda participação ou implicação da parte dos que a recebem. Esta idéia está há muito superada e deve ser abandonada. Qual, então seria o conceito renovado de revelação? Sugerimos a leitura do livro "La Revelación de Dios en la Realización del Hombre" (Andrés Torres Queiruga - Ed. Cristiandad, Madrid 1987).

Para a oração dos fiéis

- Para que a Igreja una seu esforço ao de tantos homens e mulheres de boa vontade, que lutam para conseguir a esperança, a alegria, a paz e o gozo de se sentirem em mãos de Deus Pai - Rezemos ao Senhor...
- Por todos os que vivem a fé como uma obrigação a cumprir: para que se encontrem com o Jesus vivo, que libera de toda ligadura e sufocação, inclusivamente da lei - Rezemos ao Senhor...
- Por todos os que não têm paz em suas vidas, nem paz com os demais, nem paz com Deus: para que encontrem a paz que Jesus traz a todos - Rezemos ao Senhor...
- Por todos os governantes: para que suas palavras e promessas de serviço à comunidade se traduzam em fatos reais - Rezemos ao Senhor...
- Pelos pobres, os simples, os pequenos: para que tenham parte essencial na construção do mundo novo, justo e fraterno, que todos desejamos - Rezemos ao Senhor...
- Por todos nós: para que encontremos em Jesus a paz e a alegria que Ele nos traz da parte do Pai, e Ele nos ajude em nossas fadigas - Rezemos ao Senhor...

Oração comunitária

Nós Vos bendizemos, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes grandes coisas aos "sábios e prudentes", e as revelaste aos pequenos, e vos pedimos, dai que também nós tenhamos um coração de pobre, verdadeiro amor aos pobres e o desprendimento necessário para não nos deixarmos prender por intereses egoístas, de forma que sempre saibamos captar o sentido destas "coisas" que revelais aos simples. Por Cristo, nosso Senhor.

Fuente: http://www.claretianos.com.br/port/servico_p.htm



 
 
 

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