Inglaterra N32-113 y Mariana de Jesús - Quito/Ecuador - Tel: (593-2) 2504-377 / 2529-933 - Fax (593-2) 2568-373

 

Home
Institucional
Miembros
Caminar del CLAI
Documentos
Contactos
Escríbanos

Andina
Brasil
Caribe y Gran Colombia
Mesoamérica
Rio de la Plata

Comunicaciones
Ciudadanía
Ambiental Global

Fe, Economía y Sociedad
Juventud
Mujeres y Género
Salud Integral

 
 

17º DOM. COMUM (24 de julho)
DISCERNIMENTO E OPÇÃO PELO REINO


I. INTRODUÇÃO GERAL

O Reino é o resultado de duas profundas aspirações: de Deus e das pessoas. O desejo de Deus, tantas vezes expresso na Bíblia, é que a humanidade viva em harmonia e paz. O desejo das pessoas é ter vida em abundância, numa sociedade em que as relações humanas tragam a marca da justiça, fraternidade e bem comum. O que Deus quer é aquilo a que o ser humano aspira.
Contudo, a história da humanidade é freqüentemente caótica porque não há discernimento e opção pela vida que o Reino quer comunicar. Constatamos, então, que o poder, a riqueza e os bens em geral servem para aumentar o caos, a dor e a morte. Como encontrar, de novo, o caminho da vida à qual todos aspiram e pela qual Jesus veio ao mundo, morreu e ressuscitou? Eis a proposta da Palavra de Deus para este dia.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I Leitura (1Rs 3,5.7-12): O poder a serviço do povo
Os fatos narrados neste texto situam-se por volta do ano 971 a.C. Salomão herdou de seu pai Davi um grande império. Cabe-lhe, agora, administrá-lo sabiamente. O rei está em Gabaon para oferecer um sacrifício (v. 4). É ali que Javé se comunica com ele em sonho, e lhe diz: "Peça-me o que desejar e lhe darei" (v. 5).

Salomão tem consciência de suas limitações e incapacidades, que se tornam mais evidentes quando comparadas com a capacidade e equilíbrio encontrados em Davi (v. 7). A função do rei, que naquele tempo concentrava todos os poderes, pode ser sintetizada em três itens, presentes no texto: 1. Governar: o rei é responsável pelo bom uso do bem público, preocupando-se em primeira mão com o bem-estar e prosperidade do povo (cf. v. 9); 2. Julgar: cabe a ele preservar e promover a justiça, sem discriminações. A ordem social depende de leis justas que não privilegiem uns em detrimento de outros; 3. Ter bom senso e discernimento em vista da justiça: o poder se converte em benefício ou iniqüidade, dependendo do uso que dele se faz.

Na oração de Salomão, todos esses requisitos estão presentes. Ele foi escolhido para governar, julgar e saber discernir. Mais ainda: essa oração do rei revela qual seja a posição da autoridade em relação a Deus e ao povo. Em relação a Deus: Salomão assume a atitude de servo, chamando a Deus de Senhor e considerando-se servo dele (cf. v. 7). O rei, portanto, não é senhor, mas servo. Em relação ao povo: Salomão tem consciência de que o povo pertence a Deus (cf. v. 9). Ele, pois, não poderá assenhorear-se do povo sem estar em gritante contradição com sua função de servo do povo de Deus.

O discernimento que Salomão fez agradou a Deus (v. 10), que lhe concede sabedoria para praticar a justiça (v. 11) e um coração sábio e inteligente (v. 12; o coração, para o povo de Deus, é a sede do discernimento, a consciência).

Tal é o ideal do rei ou administrador da coisa pública. A história de Israel, contudo, leu em Salomão, e na sua posterior administração, a perversão do poder. Isso se explica tendo em conta o seguinte: esses relatos sobre Salomão receberam sua redação definitiva no período que vai de antes até o final do exílio em Babilônia. São fruto da redação deuteronomista do tempo de Josias (640-609 a.C.) e do exílio. A redação deuteronomista reflete sobre os porquês da catástrofe nacional, e detecta em Salomão um vírus que passou a seus sucessores, culminando com a desgraça total do povo e da nação (exílio). Esse vírus pode ser detectado na política de Salomão, tão diferente de Davi, na administração e burocracia que, já no seu tempo, haviam levado o povo à escravidão.

Pondo no início do reinado de Salomão a oração que lemos hoje, a escola deuteronomista quis fazer uma grave advertência: as intenções iniciais do rei podiam ser boas, mas ele não foi capaz de promover o bem do povo, a justiça e a paz, porque a febre do poder tomou conta dele. E se hoje amargamos a catástrofe nacional é porque o vírus salomônico se tornou epidemia.

2. Evangelho (Mt 13,44-52): Discernimento e opção pelo Reino
O texto de hoje é a conclusão do discurso sobre o mistério do Reino (13,1-52). Podemos dividir o texto deste dia em três partes: vv. 44-46; vv. 47-50; vv. 51-52.

a. Opção radical pelo Reino (vv. 44-46)
Estes três versículos encerram duas pequenas parábolas: a do tesouro escondido (v. 44) e a da pérola de grande valor (vv. 45-46). Ambas focalizam o tema da opção radical pelo Reino da justiça, diante do qual vale a pena arriscar tudo, alegremente. Ambas mostram a atitude de alguém que vende tudo o que possui para conquistar o novo, algo de valor incalculável, o único valor absoluto. Podemos imaginar os efeitos que essas parábolas tiveram para as comunidades siro-palestinenses, desiludidas e ameaçadas de afrouxamento.

A primeira parábola é a do tesouro escondido no campo (v. 44). A parábola não compara o Reino com o tesouro, mas quer mostrar o estado de ânimo de quem encontra esse tesouro, comparando esse estado de ânimo com o que deveria animar os que descobrem o Reino da justiça como valor absoluto de suas vidas. Como reage quem encontra um tesouro? Como reage quem descobriu que a justiça é o único caminho para conseguirmos sociedade e história novas?

O texto não afirma que o descobridor estivesse à caça de tesouros escondidos. Simplesmente topa com ele, sem esforço. O Reino da justiça também não é objeto de buscas intermináveis; está debaixo de nossos pés, a nosso alcance, em nosso chão. A reação de quem encontrou o tesouro é de alegria e desembaraçamento de tudo para a obtenção desse tesouro. Aí está, diz Mateus, o estado de ânimo de quem descobriu, na prática da justiça do Reino, o filão escondido do mundo novo.

O Reino é dom gratuito, manifestado na prática de Jesus. A esse achado inesperado correspondem alegria e desprendimento total. Não se trata de renunciar para obter o Reino. É sua descoberta que possibilita desembaraçar-se alegremente de tudo.

A segunda parábola é a da pérola de grande valor (vv. 45-46). Há algumas diferenças em relação à anterior: o fato de o comprador estar buscando pérolas e a não-menção da alegria com que vende todos os seus bens. Contudo, o significado é o mesmo da parábola anterior: pelo fato de encontrar um valor maior, desfaz-se de tudo para possuí-lo, porque vale a pena. Fique bem claro, porém, que o Reino não é troca de mercadorias. Não pode ser comprado como o campo que esconde o tesouro, ou como a pérola. As parábolas querem salientar que nada faz falta a quem descobriu o sentido e valor da luta pela justiça.

b. O Reino em meio aos conflitos (vv. 47-50)
A parábola da rede lançada ao mar (vv. 47-50) prolonga o tema da parábola do joio no meio do trigo (cf. a parábola do domingo passado) e tem sabor de escatologia final. Na sociedade convivem lado a lado "peixes bons" e "peixes ruins" (Lv 11,9-12 e Dt 14,9 prescreviam quais peixes podiam ou não ser comidos). Quem lança a rede é Deus e só a ele compete ordenar a triagem. O juízo constará de separação. A parábola, portanto, mostra às comunidades cristãs qual será sua sorte final se perseverarem no discernimento e na opção definitiva pelo Reino de justiça.

c. Convite ao discernimento (vv. 51-52)
Os vv. 51-52 pretendem ser a conclusão das parábolas. A insistência do v. 51 cai sobre a compreensão ou discernimento: "Vocês compreenderam tudo isso?" Não se trata simplesmente de entender o sentido das parábolas, mas antes de compreender (tomar consigo, apropriar-se), assumir o ensinamento e a prática do Reino que elas manifestam. Trata-se de compreender o mistério do Reino, que pode ser resumido em dois pontos: 1. O mistério do Reino já foi e continua sendo manifestado naquilo que Jesus diz e realiza; 2. O que ele diz e realiza se prolonga na práxis da comunidade cristã em meio a uma sociedade conflituosa. A função da comunidade não é fazer a triagem ou fugir da realidade, mas dar continuidade à prática de Jesus.

Os discípulos (e as comunidades cristãs) afirmam ter compreendido tudo isso. "Por isso - diz Jesus - todo doutor da Lei que se torna discípulo no Reino do Céu é como um pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas" (v. 52). O versículo faz uma comparação entre o doutor da Lei e o pai de família. É possível ver nesse doutor da Lei uma referência ao próprio autor do evangelho (Mateus) que relê o AT (coisas velhas) à luz da novidade de Jesus (coisas novas). Tudo faz parte do patrimônio da fé; porém, seu valor está em se ter feito discípulo do Reino.

Mas pode ser também um modo pelo qual Mateus justifica as adaptações das parábolas às novas realidades das comunidades (a "explicação" da parábola do joio é uma releitura das comunidades). Ser discípulo do Reino de justiça permite administrá-lo sabiamente (o pai de família), para que sua mensagem ilumine e transforme os novos desafios.

Pode, ainda, ser uma referência à catequese. O evangelho de Mateus era uma espécie de manual do catequista cristão (doutor da Lei que se torna discípulo do Reino). Ora, também a catequese primitiva sentiu a necessidade de adaptar o núcleo central da fé às novas situações e desafios de uma sociedade conflituosa. Por isso o catequista estava e está sempre em busca de algo que, partindo da prática de Jesus, possa inspirar e levar à solução dos novos conflitos que se apresentam.

3. II leitura (Rm 8,28-30): Filhos no Filho, destinados à glória
Os três versículos da carta aos Romanos lidos na liturgia deste domingo são a conclusão da argumentação paulina em torno do segundo princípio fundamental (8,14-30) que rege a vida do cristão: a filiação divina (para o primeiro princípio, cf. o comentário à II leitura dos domingos passados).

Nós somos filhos de Deus e, enquanto tais, somos destinados à glória. Isso faz parte do projeto de Deus, que propõe vida em plenitude, de acordo com a sua vontade. Deus criou o ser humano destinado à glória e não ao fracasso, como pregavam certas correntes de pensamento da época.

Paulo, mediante o discernimento à luz da prática de Jesus morto e ressuscitado, chegou à certeza ("sabemos") de que "todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu desígnio" (v. 28). Como chegou a essa conclusão? Lendo os acontecimentos e a vida a partir do que Deus realizou com a morte e ressurreição do seu Filho Jesus e com a efusão do Espírito Santo. Em base a isso Paulo descobre o Deus de amor que provê às necessidades dos que nele crêem (cf. Sl 97,10; 145,20; Tb 13,14; Ecl 8,12; Eclo 34,16), chegando ao gesto ímpar de amor, anistiando a humanidade e convidando-a à vida mediante a morte e ressurreição do seu Filho (cf. 8,3).

Os cristãos de Roma tiveram conhecimento do amor de Deus através do anúncio do Evangelho. Tornando-se cristãos responderam ao Evangelho e, mais ainda, ao amor de Deus.

Os dois versículos seguintes (vv. 29-30) desenvolvem o pensamento já esboçado no v. 28. O ápice do projeto divino é Deus sendo glorificado e os seres humanos participando dessa glória, tornando-se "imagem do Filho, a fim de que o Filho seja o primeiro entre muitos irmãos" (v. 29). Paulo sintetiza o que é a filiação divina: é ser filho no Filho, fazendo com que o mundo seja uma grande fraternidade, com um único Pai: Deus. Tal é o objetivo do anúncio evangélico dirigido às pessoas.

Os cristãos de Roma tinham consciência do que significava ser filhos de Deus. Mas custavam crer, porque olhavam demais para o número dos próprios limites e falhas. Paulo garante: quem foi chamado a viver, no Filho, a filiação divina, já foi anistiado por Deus ("os que chamou, também justificou"). A precariedade humana não é o fator decisivo; decisivo é o amor do Pai que perdoa. E não só perdoa, mas também glorifica, ou seja, vai conduzindo até que todos possam viver a plenitude do seu amor (v. 30).

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

É possível resumir os textos de hoje na frase: o discernimento e opção pelo Reino. Ele já está em nosso meio como realidade que ilumina e transforma as relações humanas e sociais. Nós somos destinados à glória. O Reino se constrói à medida que formos filhos no Filho; à medida que empenharmos a vida por ele. Nesse sentido, as leituras de hoje nos perguntam se já arriscamos ou vendemos tudo alegremente em vista do Reino de justiça que é a sociedade com a qual todos sonhamos; se somos filhos no Filho, caminhando rumo à glorificação do ser humano; se pomos todo nosso ser a serviço do bem comum e da realização do projeto de Deus, ou se nos deixamos contagiar pela febre de poder que levou à ruína o povo de Deus do Antigo Testamento.

Pe. José Bortolini




 
 
 

Design © 2005 Departamento de Comunicaciones y Publicaciones del CLAI