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SERVIÇO BÍBLICO LATINO-AMERICANO
Semana de 24 a 30 de julho de 2005
17ª Semana do Tempo Comum
CICLO A
Domingo, 24 de julho de 2005.
17º Domingo do Tempo Comum.
Primeira leitura: 1 Reis 3, 5.7-12
Salmo responsorial: 118, 57.72.76-77.127-128
Segunda leitura: Romanos 8, 28-30
Evangelho: Mateus 13, 44-52
Os textos litúrgicos deste domingo podem ser catalogados sob um único título: ensinamento sobre a necessidade da ajuda divina em vistas a um bom discernimento e os frutos que este comporta.
Na primeira leitura Salomão, na presença de Deus, suplica o dom da escuta e do discernimento entre o bem e o mal e obtém a aprovação divina por causa deste pedido e lhe é concedida uma "mente sábia e prudente".
O salmista do salmo de hoje confessa que a fonte deste dom tem suas raízes em Deus, e Deus o concede a quem sabe valorizá-lo.
A carta aos Romanos constata com admirada alegria a comunicação de Deus, por meio de Cristo, com aqueles que "Ele chamou".
Aceitar o dom e valorizá-lo adequadamente é o centro das preocupações do texto evangélico de hoje, apelando para as três últimas parábolas de Jesus do discurso de Mt 13 e para a sua conclusão (vv. 51-52).
As duas primeiras parábolas [texto opcional mais breve] convidam a uma valorização adequada das diversas ofertas que são feitas ao longo da vida. Nelas o Reino se compara a um tesouro escondido e a uma pérola de grande valor. A pessoa que compreendeu o seu valor está disposta a renunciar a tudo com o fim de adquirir essa pérola e este tesouro. Vale a pena vender tudo para comprar este sumo bem para a própria vida. Igualmente, a existência desta pérola induz o comerciante deste ramo a vender tudo para poder adquiri-la. Dessa forma, renúncia inclusive à sua profissão, para poder transformar-se em possuidor deste bem tão precioso.
As duas parábolas têm em comum a ação empreendida pelo homem e pelo comerciante: trata-se de "vender tudo" o que se tem, para "comprar" o bem desejado. Numa sociedade que conhece a atividade febril do comércio, convida-se a descobrir o valor único do Reino de Deus, superior a toda outra realidade. Esta insistência deixa bem claro que a resposta esperada por Jesus não admite concessões.
A valoração proposta nos deixa diante de uma questão decisiva: até que ponto estimamos a proposta recebida pelas palavras e pela pessoa de Jesus? Só se formos capazes de entender que o Reino pede tudo de nós, poderemos então dar-lhe um espaço adequado em nossa vida.
Esse compromisso deve ser total e deve perdurar ao longo de toda a vida até o discernimento definitivo. Por isso, o Reino de Deus pode ser comparado também a uma rede lançada ao mar. Curiosamente ela recolhe não apenas peixes, mas "coisas de todo tipo", até o momento em que "está cheia". Esta última expressão pode significar melhor "se cumpre". O termo é o mesmo que o evangelista indica para o cumprimento das profecias em Cristo. Com Cristo nos encontramos no "fim do mundo", e se repetem aqui alguns termos da ambientação do discurso das parábolas: "mar", "margem", "povo que se senta"...
Pela terceira vez neste capítulo, depois daquela do semeador e do joio, se dá uma explicação da parábola. Após ensinar que "no fim do mundo" os anjos separarão os maus dos bons, Jesus se detém para detalhar a sorte reservada "aos maus". Esta não pode ser outra senão a frustração total por causa da vaidade que marcou toda a sua vida. Por isso seu destino será o fogo que destrói a banalidade e a superficialidade. Esta atenção ao fracasso é uma advertência a todo discípulo em vistas a enfrentar com responsabilidade o momento presente. Deste depende o futuro da pessoa humana, que pode ser malbaratado por uma vida vazia de sentido.
Desta forma Deus nos coloca perante o juízo definitivo que se realiza com a mediação de Jesus. Graças a ela se descobre a maldade ou a bondade de cada alto humano. A natureza desta ação justifica as exigências que se requerem. É necessário vender tudo e manter-se neste compromisso ao longo do tempo que nos for concedido viver.
A conclusão de todo o discurso se faz mediante uma pergunta acompanhada de uma breve comparação. Os discípulos em sua resposta são conscientes de haver entendido o significado de Jesus em sua própria vida. Receberam o dom do "entendimento" de todas estas coisas, das parábolas de Jesus e, mais ainda, de Jesus mesmo, que fala por parábolas. Com esta base exige-se deles o desempenho de um oficio: que sejam os "letrados" da comunidade. Estes permanecem sempre discípulos de Jesus e, à diferença dos letrados israelitas fechados no passado, deverão repartir, como "um pai de família", as riquezas antigas, mas também as novas, que dão plenitude às antigas.
Fazer-se discípulo significa, então, assumir uma tarefa, a mesma tarefa de Cristo. O letrado é o perito na Escritura. Graças ao magistério de Cristo esse letrado pode renovar todas as suas concepções e levá-las à verdade plena.
Para a revisão de vida
- Nós, os batizados, somos muitos. Mas somos muitos os que vivemos de acordo com a nossa fé? Estamos mesmo convencidos de que o Reino de Deus é o maior tesouro de nossas vidas? E eu, o que sou? Um batizado a mais ou um verdadeiro discípulo de Cristo?
- Descobri verdadeiramente o Reino de Deus em minha vida? Sinto minha vida repleta de alegria por esta descoberta? Sou capaz de vender tudo por causa deste tesouro, desta pérola valiosa?
Para a reunião de grupo
- Embora as duas primeiras parábolas estejam construídas sobre o esquema do vender e comprar, sua mensagem central é, precisamente, que na vida há certas coisas que valem muito mais que tudo isso que se compra e vende... O dinheiro apenas não faz a felicidade de ninguém. Para um rei sábio (Salomão) é mais importante o dom de saber governar que as riquezas... E para todo ser humano há algo que é "mais importante que todo o resto"... Será este o sentido destas duas parábolas? Comentar.
- O que seria isso que é mais importante que todo o resto? A graça de Deus? O perdão de Deus? O fato de pertencer à Igreja? O próprio Cristo?
- A terceira parábola está construída sobre o esquema "esta vida/a vida futura". Sobre isso CIRES, em 1991, publicou na Espanha uma pesquisa segundo a qual, na católica Espanha, "4 de cada 10 espanhóis não crêem nem na ressurreição nem no inferno". Nesse mesmo país, a revista Misión Abierta publicava outra pesquisa na qual se constatava que "48% dos cidadãos espanhóis não acreditam na ressurreição, e que foi dada uma guinada para o Oriente, porque 25% aceita a reencarnação". Neste contexto, como poderíamos hoje repetir a mesma parábola para que fosse significativa para todos? Podemos na reunião de grupo (sem autocensuras doutrinais) arriscar alguma outra reinterpretação?
Para a oração dos fiéis
- Pela Igreja, para que não seja apenas uma associação de batizados, mas o rosto visível do amor de Deus Pai no mundo, - rezemos ao Senhor ...
- Por todas as pessoas, para que tenhamos a sabedoria e o discernimento suficientes para distinguir o bem comum e trabalhemos para isso, - rezemos ao Senhor ...
- Por todos os que trabalham pelo Reino de Deus, Reino de justiça, de amor e de paz, para que vejam recompensados os seus trabalhos com um mundo melhor, - rezemos ao Senhor ...
- Por aqueles que não têm outro reino senão seus próprios interesses e egoísmos, para que suas vidas sejam iluminadas e mudem de objetivos, - rezemos ao Senhor ...
- Por todos os que têm a oportunidade de conhecer o Evangelho, para que vejam nele o maior e melhor tesouro, pelo qual vale a pena vender tudo para recebê-lo em troca, - rezemos ao Senhor ...
- Por todos nós aqui reunidos, para que o Senhor nos conceda aqueles dons necessários para melhor servirmos aos irmãos, - rezemos ao Senhor ...
Oração comunitária
O Deus, nosso Pai, concedei-nos sabedoria para descobrir o verdadeiro significado e a importância do Reino que vosso Filho anunciou e inaugurou entre nós; que possamos acolhê-lo em nossa vida como o tesouro mais precioso e que nos dediquemos a ele com todas as forças do coração. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
Fuente: Missionários Claretianos
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