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español
Primeira leitura: 1Reis 19, 9a.11-13a .
Permanece sobre o monte na presença do Senhor.
Salmo responsorial: 84, 9-14 .
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
Segunda leitura: Romanos 9, 1-5 .
Eu desejaria ser segregado em favor de meus irmãos. .
Evangelho: Mateus 14, 22-23 .
Manda-me ir ao teu encontro caminhando sobre a água . |
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Entre os primeiros profetas de Israel surgem duas figuras que brilham com luz própria: Samuel e Elias. A tradição bíblica concedeu-lhes um lugar de destaque não só pelo momento crítico no qual atuaram, mas, sobretudo, pelo radicalismo com que assumiram a causa de Javé. A teofania do monte Horeb constitui o centro do que foi chamado o "ciclo de Elias", isto é, a coleção dos relatos que tem como protagonista este profeta (1 Reis 17, 1-2Rs 2, 1-12).
Nessa época havia grande confusão e a fidelidade a Javé e suas leis não estavam sendo cumpridas porque o rei havia introduzido culto a deuses estrangeiros (1Rs 16, 31-32).Os novos deuses legitimavam a violência, a intolerância e a expropriação como meios de garantir o poder. Elias levanta a voz contra estes desmandos e vê na seca que açoita o país as conseqüências do castigo divino. Elias, então, no meio das perseguições e ameaças começa uma campanha de purificação da religião israelita. Sem dúvida, suas iniciativas produzem o efeito contrário e aumenta a opressão, a violência e a perseguição.
Elias, cansado e desanimado, se dirige ao Monte Horeb, onde descobre que Deus não se manifesta nos elementos telúricos - na grande tormenta ou no fogo abrasador -, mas na brisa mansa e suave que lhe acaricia o rosto e lhe convida a tomar um outro caminho para realizar a vontade do Senhor.
Depois do massacre no monte Carmelo (1 Rs 18,20-40), Elias sem abandonar a denúncia das injustiças (1 Rs 21, 1-29) e aberrações (2Rs 1, 1-18), opta por animar a um grupo de discípulos para que continuem sua missão (2 Rs 2,1-12). Elias descobriu assim que pela via da violência não se consegue nada, ainda que se esteja a favor das causas justas. A força da espada pode impor o parecer de um grupo de pessoas, mas não pode garantir a paz, o respeito e a justiça.
O evangelho nos mostra outra tentação na qual podem cair os seguidores de Jesus quando não estão seguros dos fundamentos da sua própria fé. A cena da tempestade acalmada" nos recorda a imagem de uma comunidade cristã, representada pela barca, que se adentra no meio da noite num mar tempestuoso. A barca não está em perigo de se afundar,mas os tripulantes, levados mais pelo medo que pela destreza, entram no desespero. Tal estado de ânimo os leva a ver Jesus que se aproxima no meio da tempestade, como um fantasma saído da imaginação. É tão grande o desconcerto que não atinam a reconhecer nele o mestre que os orientou no caminho de Jerusalém. A voz de Jesus acalma os temores, mas Pedro levado pelo medo se lança a desafiar os elementos adversos. Pedro duvida e começa a afundar, porque não crê que Jesus possa ordenar os "ventos contrários", às forças adversas que se opõe à missão da comunidade.
Este episódio do evangelho nos mostra como a comunidade pode perder o horizonte quanto permite que o temor ou os elementos adversos que os leva a tomar uma decisão e não a fé em Jesus. O medo pode nos levar a desafiar os elementos adversos, mas somente a fé serena no Senhor nos dá as forças para não nos afundarmos em nossos temores e inseguranças. A mesma coisa como Elias, a comunidade descobre o autêntico rosto de Jesus em meio da calma, quando o vento impetuoso contrário cede e aparece uma brisa suave que impulsiona as velas para a outra margem.
Nossas comunidades estão expostas à permanente ação de ventos contrários que ameaçam em destruí-las; sem dúvida, o perigo maior não está fora, mas dentro da comunidade. As decisões tomadas por medo ou pânico diante das forças contrárias podem nos levar a ver ameaçadores fantasmas nos quais deveríamos reconhecer a presença vitoriosa do ressuscitado. Unicamente a serenidade de uma fé posta completamente no Senhor ressuscitado que nos permite pisar sobre o mar impetuoso. O evangelho nos convida a enfrentar todas aquelas realidades que ameaçam a barca e nós animados por uma fé firme e exigente que nos conduz como uma suave brisa para as margens do Reino.
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Para a revisão de vida
- A fé é capaz de remover montanhas... e de nos fazer caminhar sobre o mar. Como vai minha fé? Eu tenho uma confiança cega em Deus? O que faço com minhas dúvidas? Acontece comigo o que aconteceu com Pedro, eu estou afundando em minha vida... por duvidar?
Para a reunião de grupo
- A segunda leitura, do segundo livro do Reis, é uma leitura clássica para discernir a presença de Deus. Façamos uma aplicação alegórica dos símbolos que utiliza: o furacão, o terremoto, o raio, a brisa...
- Prolonguemos a mesma reflexão aplicando-a em categorias mais modernas: o estresse, a angústia, a depressão, a tranqüilidade de consciência, a auto-estima, a auto-satisfação pelo trabalho realizado...
- Este episódio da vida de Elias foi usado quase sempre para ponderar a capacidade que a natureza tem de transmitir-nos a presença de Deus. Muitos cartazes e enfeites religiosos se baseiam nisto: belo amanhecer, montanhas escarpadas, paisagens cheias de luz, horizontes infinitos... nós nos acostumamos a considerá-los como símbolos da presença de Deus. Trata-se da imagem de um Deus naturalmente presente na "natureza", não na "história": seria difícil ver a Deus num quadro pictórico das reivindicações operárias... Comentar isto. Relacioná-lo com aquele slogan da espiritualidade da libertação: "Contemplativus in Liberatione" (contemplativos na libertação)...
- É fácil ver que os conflitos de justiça entre pobres e ricos no Primeiro (Antigo) Testamento não são uma peculiaridade da história de Israel... mas um elemento quase que "essencial", poderíamos dizer, lamentavelmente presente em toda sociedade. Os apelos a um tipo ou a outro de (imagem de) Deus, não é senão um reflexo das lutas que nessa sociedade se dão entre as forças utópicas profundas do subconsciente coletivo e os egoísmos humanos de grupos e de pessoas. Naquele tempo - e também agora - estas forças se batiam no campo do imaginário e do discurso religioso, como era "natural" a esse tipo de sociedade. Estamos entrando num tipo de sociedade na qual, por efeito do que Giddens chama "destradicionalização", a dimensão religiosa institucional tradicional perde a força, torna-se menos plausível, e nas sociedades avançadas (próximas ao que se chama tecnicamente de "sociedades do conhecimento") torna-se simplesmente ininteligível. Como continuará historicamente a defesa dos pobres e da justiça nas sociedades avançadas (e na nossa - qualquer que seja no futuro -) quando o discurso e o imaginário religioso não estiver na mão para levar adiante esta luta entre a utopia de justiça e os interesses egoístas?
- Nós sabemos que muitas narrativas dos evangelhos são simbólicas, teológicas, não históricas. Não são narrativas objetivas do que realmente se passou. Nem era essa a intenção do evangelista ao incorporar este texto ao evangelho. No entanto, durante mais de um milênio e meio a cristandade entendeu estas narrativas ao pé da letra como fatos reais. Ainda hoje muitas pessoas continuam pensando assim. É um problema ou não é? Se responder sim ou não - tente justificar o porque do sim e o porque do não.
Para a oração dos fiéis
- Pela Igreja, para que busque sempre no Senhor a força necessária para levar adiante sua missão no mundo, - rezemos ao Senhor:
- Por todos os cristãos, para que nos esforcemos em conhecer cada dia mais e melhor a vontade de Deus e assim vivamos com mais coerência a nossa fé, - rezemos ao Senhor:
- Por todos os que trabalham por um mundo melhor, mais humano e mais fraterno, para que nunca desanimem diante das dificuldades e vejam recompensados seus esforços com o triunfo, - rezemos ao Senhor:
- Por todos os povos e pessoas, para que desfrutem da paz e da liberdade verdadeira e plena, - rezemos ao Senhor:
- Por todos os que duvidam e vacilam em sua fé, para que encontrem a fortaleza que nos leva a confiar plenamente em Deus, - rezemos ao Senhor:
- Por todos nós, para que encontremos na Eucaristia e na Comunidade a força e o ânimo necessário para não perder nunca a ilusão nem a esperança, - rezemos ao Senhor:
Oração comunitária
Ó Deus, Força Viva, Criadora, que nos atraís sem vos manifestar, e nos seduzis sem vos entregar, sem atravessar nem romper nunca o leve e opaco véu que nos separa e nos comunica... Fazei-nos sentir a vossa presença nas profundezas de tudo o que existe, na natureza, e também na história, na terra e no céu, no passado e no futuro, em nossa religião e nas de todos os povos. Nós vos sentimos especialmente próximo em Jesus de Nazaré, e no mesmo Espírito que ele manifestou, nós vos sentimos presente, a Vós e a Tudo o que existe. Amém.
Ou:
Deus, nosso Pai, fazei aumentar em nós o sentimento de vossos filhos, nosso amor e nossa confiança em Vós, para que sejamos a todo instante e circunstância sinais vivos da vossa presença no meio da humanidade. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém .
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Fonte: http://www.claretianos.com.br/port/servico_p.htm |
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