
La Red de Liturgia es una iniciativa latinoamericana que nace en 1991 de la mano del pastor brasileño Ernesto Barros Cardoso, como una manera de crear lazos firmes entre las personas que deseaban compartir sus experiencias en este terreno de la vida eclesial.
Proclamar Libertacao
JEREMIAS 15.15-21
ROMANOS 12.9-21
MATEUS 16.21-28
Werner Wiese1 Introdução
Anunciar a palavra de Deus é uma tarefa desafiadora e gratificante, pois não sabemos quem virá ao culto. Desconhecemos a realidade específica de cada pessoa no templo. Esses desafios não nos desmotivam. São gratificantes, pois, já antes de prepararmos o sermão, há pessoas esperando por ele, porque necessitam da palavra de Deus como orientação para sua vida. Lembremo-nos de que não anunciamos uma palavra como todas as outras palavras, mas que é diferente de todas elas, porque é a palavra de Deus proclamada por boca humana. Aqui, o texto de Mateus 16.21-28, previsto para a prédica de hoje, tem suportes que podem ajudar a estabelecer elos de comunicação com as pessoas presentes no culto: as expectativas, os sofrimentos e a reação humana diante dos mesmos. O sofrimento humano das mais diversas origens e natureza é uma realidade muito presente nas pessoas. As demais leituras bíblicas para a celebração de hoje (Jr 15.15-21 e Rm 12.9-21) podem ser vinculados ao texto da prédica pelo viés do sofrimento, das aflições e das reações que causam.2 Elementos exegéticos
2.1 – A composição do texto
Ele é composto de duas subunidades literárias ligadas entre si. A primeira abrange os v. 21-23 e fala da morte e ressurreição de Jesus. A segunda subunidade inclui os v. 24-28 e trata, essencialmente, do preço do seguimento de Jesus. Em Mateus 16.21s., Jesus prediz pela primeira vez sua morte e ressurreição (Mc 8.31-33; Lc 9.22). Isso ocorre mais duas vezes de forma explícita (Mt 17.22-23 par; Mt 20.17-19 par). Em Mateus, também há indicações indiretas à morte e ressurreição (por exemplo: Mt 12.14; Mc 3.6; Mt 12.38-42). Portanto, morte e ressurreição são núcleo inerente ao ministério de Jesus de Nazaré.2.2 – O contexto literário
É importante observar que o texto não está solto no ar, pois ajuda a entender o impacto dele sobre as pessoas diretamente envolvidas: os discípulos, com destaque para o nome de Pedro. No texto precedente, Jesus pergunta a seus discípulos: "Mas vós... quem dizeis que eu sou?" (v.15). Pedro – porta-voz dos doze – responde sem hesitar: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (v. 16). Essa é a mais precisa definição e confissão teológica a Jesus Cristo feita por alguém no evangelho (Jo 6.68-69). Ela é confirmada por Jesus como revelação de "meu Pai, que está nos céus" (Mt 16.17) e é acompanhada da mais profunda promessa feita a alguém na terra (Mt 16.18-19). Imediatamente pós o texto para a pregação, Mateus traz o episódio da transfiguração, no qual a realidade de Deus irrompe de forma extraordinária na realidade
humana. Portanto o texto da pregação é sustentado pela realidade da revelação.2.3 – Vínculos internos
"Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário... sofrer..." (v. 21). Essas palavras provocam uma reação em cadeia: Pedro protesta com veemência (v. 22). Jesus, por sua vez, contra-reage com palavras fortíssimas: "... Arreda, Satanás!" (v. 23a). Arreda (opisô moy) é linguagem de chamamento ao discipulado (Mt 4.19). Ademais, as duas subunidades literárias (v. 21-23 e v. 24-28) estão estreitamente ligadas entre si pelo advérbio "então". Ligação semelhante acontece entre o texto da confissão de Pedro e nosso texto: "Desde esse tempo" (v. 21a). Portanto o advérbio "então" sugere que os v. 24-28 surgiram a partir do protesto de Pedro contra o sofrimento de Jesus.2.4 – Destaques teológicos
a – Falar do caminho à cruz e da ressurreição é iniciativa de Jesus: "Começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos..." Por trás do "mostrar" está a realidade teológica do servo sofredor do Senhor (Is 42.1s.; 53.1s., especialmente v. 10; Os 6.2. Cf. Lc 24.44-46). A expressão "que lhe era necessário" destaca que o destino de Jesus não é mero resultado de um processo político da época. Por trás de seu ministério está a necessidade de Deus (Jo 4.4) para
salvar a humanidade do círculo vicioso do maligno e da violência. Esse círculo se vence fazendo o bem. Aqui Romanos 12.9-21 é esclarecedor.
b – O protesto de Pedro. A mesma boca que confessa "Tu és o Cristo..." profere o diametralmente oposto à necessidade de Deus no ministério de Jesus.
c – "Arreda, Satanás" realça que a boa intenção de Pedro periga tornar-se motivo de tropeço (skándalon) para Jesus: Pedro – o portador da promessa (Mt 16.18-19) – incorpora a forma do tentador. Jesus opõe-se a essa voz com o mesmo ímpeto com que se opõe à voz do tentador em Mateus 4.1-11, especialmente o v. 10. Pedro é recolocado na condição de seguidor; Jesus não o deixa na condição de condutor do discipulado (v. 22).
d – O seguimento a Jesus (v. 24-28) difere da lógica da vantagem: "Ganhar o mundo inteiro" (cf. Lc 9.57-62).
3 Meditação do texto
Entre a confissão de fé proferida em comunidade no culto e a realidade do dia-a-dia existem enormes tensões. A reta confissão de fé não é garantia para sucesso e expectativas correspondidas. Os embates da vida – decepções, sofrimentos inesperados, problemas existenciais – podem tornar-se provas perigosas para nós mesmos. E pior: nós podemos tornar-nos perigosos para nossos semelhantes. Somos tentados a usar a fé cristã para colocar Deus diante da carruagem de nossas imaginações, piedosas ou não. Naturalmente, fazemos isso com as melhores das intenções. Mas é aqui que reside o perigo: nenhuma intenção, por melhor que seja, é capaz de transformar um erro em algo certo, uma mentira em verdade. A pior das tentações é aquela que vem da boca de gente amiga. Carecemos da correção de terceiros. A palavra de Deus chama-nos de volta ao nosso lugar: seguir a Jesus e não correr na frente e conclamá-lo a vir atrás.Perguntas: 1) Como viver a fé em Jesus Cristo à vista da moda da fé? "Ter fé" virou status, é negócio que faz funcionar tudo. 2) Como viver a fé em Jesus Cristo à vista da indiferença da fé? A fé em Jesus Cristo tornou-se irrelevante sob nossos olhos. As questões fundamentais do dia-a-dia são decididas muitas vezes a bel-prazer, como se elas nada tivessem a ver com o ser cristão. 3) Como viver a fé em Jesus Cristo à vista de tantos sofrimentos e injustiças? 4) Que preço estamos prontos a pagar para viver a partir do evangelho que rompe o círculo vicioso do mal e da violência? Não deveríamos fugir dessas indagações nem omiti-las às pessoas que vêm à casa de Deus a fim de receber orientações para viver.
4 Imagens para a prédica
Um conhecido provérbio diz: "Quem avisa amigo é". Ou: "Prefiro um adversário que me diga a verdade a um amigo que a omite". Esses provérbios podem ajudar a construir a ponte entre o texto e a convivência humana na comunidade e fora dela. Procuremos identificar amigos no texto e dizer quem é amigo de quem. Ao abrir o jogo em relação a seus sofrimentos, ao alertar quanto às conseqüências do discipulado, Jesus é amigo de seus seguidores? Certamente Pedro quis ser amigo de Jesus ao tentar poupá-lo do caminho da dor. Como fica o provérbio "Quem avisa amigo é"? Dialogue entre a realidade retratada em Mateus 16.21-28 e nosso dia-a-dia. Para refletir:
Só há um número
o número um
só uma certeza
só um poder
no meio das inumeráveis conchas.
Uma confissão
e uma bandeira
uma coragem
e um só amor
só há um número
não obstante
a multiplicação.
Ao amar
nego o amor
a minha negação
é minha afirmação.
Ao trabalhar
esqueço o amor
e ao despedir a vida
a recupero.
Ao amar
me desencontro
e ao me negar
no meu trabalho
vejo que sou
apenas mão e ato falho.
(Jaci Maraschin. Rastro de São Mateus. São Paulo, 1998. p. 69, 71)5 Subsídios litúrgicos
Confissão de pecados:
Senhor, nosso Deus, dirigimo-nos a ti porque tu nos convidas para tal. Porém reconhecemos e confessamos que a motivação com que nos voltamos a ti nem sempre está isenta de interesses próprios. É-nos difícil reconhecer e aceitar tua vontade. Vivemos centrados em nós e usamos o teu nome para proveito próprio. De fato, não te amamos de todo o coração, de toda a nossa alma e com toda a nossa força e nem nosso próximo como a nós mesmos. Pecamos em palavras e ações e nos apropriamos indevidamente da tua criação. Pedimos-te, Senhor, não nos deixes seguir o nosso próprio caminho, mas atrai-nos de volta para ti, perdoa-nos e abre um novo espaço para vivermos na tua presença e aprendermos a seguir-te todos os dias de nossas vidas. Kyrie eleison! Amém.Oração da coleta:
Senhor, tu vieste a este mundo e sofreste não só como nós, mas sofreste na cruz por nossos pecados e nos chamas para te seguir. Agradecemos-te que não precisamos andar na escuridão de nossos próprios caminhos, mas podemos andar na tua luz. Ajuda-nos a colocar tudo o que somos e temos na tua presença. Amém.Oração de intercessão:
Senhor, nosso Deus, agradecemos-te que nos encorajas a interceder também pelos outros. Pedimos-te por tua igreja, espalhada sobre a face da terra, de modo especial rogamos pelas comunidades que vivem como minorias em situações precárias e sob ameaça de vida. Chama, capacita e guarda obreiros e obreiras da tua igreja no mundo inteiro e na IECLB. Intercedemos
pela nação brasileira e suas autoridades. Concede-nos dirigentes tementes a ti, cientes de suas responsabilidades públicas e sábios para legislar e governar de modo que a vida seja respeitada em todos os seus níveis. Senhor, olha pelas pessoas em nosso município e olha com misericórdia por nossa comunidade, que nos acolhe e na qual somos servidos e aprendemos a servir a ti e às pessoas. Assiste os enfermos e enlutados... Senhor, tudo mais que nos move e comove expressamos com as palavras que Jesus Cristo nos ensinou a
orar: Pai Nosso ... Amém.Bibliografia
BORN, A. van den. Dicionário Enciclopédico da Bíblia. Petrópolis: Vozes.
SPELLMEIER, A. I. Meditação sobre Mateus 16.21-26, in: Proclamar Libertação 21, p. 223-228.