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Proclamar Libertaçao - Auxílios para o anúncio do Evangelho.
É uma coleçao que vem desde 1976, como fruto de um trabalho de mutirao, do qual participa muita gente do Brasil e da América Latina. O trabalho exegético, a reflexao, os subsídios litúrgicos, sao contribuiçoes para a preparaçao do culto, dos estudos bíblicos e de outras celebraçoes na vida comunitária.
Editado pela Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissao Luterana no Brasil
ECLESIASTES 3.1-13 -
APOCALIPSE 21.1-6a
MATEUS 25.31-46
Arteno Ilson Spellmeier
1 Informações exegéticas e reflexões teológicas
1.1 – O texto de Mt 25 caracteriza-se por sua radicalidade. Ele encerra
o discurso apocalíptico de Jesus (24.1-25.46) e encontra-se somente em
Mateus, não tendo paralelo nos evangelhos sinóticos. Devido à sua
radicalidade, ele tem sua origem, possivelmente, em Jesus mesmo. Mateus
pode ter entendido que “os mais humildes dos irmãos (e irmãs)” eram, antes
de mais nada, as pessoas pertencentes à primeira comunidade, as pessoas
que se decidiam por seguir as pegadas de Jesus e, fazendo isso, transformavam-se, muitas vezes, em pessoas famintas, sedentas, nuas, presas..., necessitando
da solidariedade dos demais. Certamente não dá para excluir os seguidores
e as seguidoras de Jesus da categoria dos “mais humildes dos irmãos
(irmãs)”, mas restringi-los a esse grupo seria diminuir o alcance e a
radicalidade da parábola.
1.2 – O acento do texto não está no julgamento em si, mas no anúncio
de seu resultado e em sua fundamentação. Elucida-se o critério de separação,
o parâmetro do julgamento: importa realizar as obras de amor e caridade– típicas tanto para a religiosidade e piedade judaicas como egípcias e persas.
Realizar as obras de caridade “aos mais humildes dos irmãos (irmãs)” é fazê-las
ao próprio Cristo, o Filho do Homem, que faz a separação e anuncia o
resultado do julgamento, assim como a exposição de motivos. Cristo vem
como Filho do Homem, salvador de todos os povos da terra, e ao mesmo
tempo como Rei, como Messias, salvador do povo judeu, isto é, o julgamento
e a promessa de salvação são universais. O horizonte do texto de Mateus 25
não se restringe mais somente ao povo judeu; ele está incluído, mas não é
mais exclusivo (32). No horizonte do texto está incluída a comunidade como
um todo, não se restringindo a indivíduos: “Onde dois ou três estiverem reunidos
em meu nome, no meio deles estarei” (18.20). Está incluída a comunidade
judaico-cristã de Mateus, mas também a nossa comunidade. Estão incluídos
os indivíduos, as pessoas em quem o Cristo de Deus se encarna e que
por ele são julgadas, mas é o indivíduo dentro de seu povo, de sua nação,
comunidade e cultura.
No texto, Cristo é apresentado como Filho do Homem que se identifica
com os seres humanos, como rei poderoso que governa os seus súditos, como
pastor que cuida de suas ovelhas e como juiz que as aparta umas das outras.
Na pregação, todas essas designações de Cristo devem ser consideradas.
1.3 – As figuras das ovelhas e dos cabritos que serão apartadas traz
consigo algumas dificuldades de interpretação. As seguintes interpretações
são as mais usuais: a) permanecendo-se na figura, pode-se pensar na forma
que os pastores daquele tempo usavam para apartar as ovelhas (que devidoà sua lã podiam dormir ao relento, sem passar frio) dos cabritos (que tinham
que ser postos em áreas cobertas, onde ficariam protegidos do frio da noite);
ou b) pode-se constatar que a maior diferença entre ovelhas e cabritos é a
obediência. As ovelhas seguem obedientemente seu pastor, enquanto os cabritos
são mais independentes e precisam ser tocados; c) deixando-se a figura
de lado e partindo-se para o que ela quer expressar, pode-se pensar na
separação entre as pessoas que Jesus denomina de bem-aventuradas no sermão
do monte e nas pessoas auto-suficientes, ricas e poderosas. As primeiras
são as ovelhas à direita, as pessoas do segundo grupo, os cabritos à esquerda.
As três tentativas de interpretação têm, a meu ver, contra si que em
todas elas está predefinido quem são as ovelhas que ficarão à direita e os
cabritos que ficarão à esquerda do juiz no julgamento, sendo os diferenciais a
cor ou a maior dependência ou a posse de bens. Prefiro pensar que, como em
outras parábolas e figuras do Novo Testamento, também nessa aquilo que
Jesus quer expressar é maior do que a própria parábola. O critério de separação
não são a cor, nem a lã, nem a dependência, nem a obediência, nem a
auto-suficiência, nem a riqueza, mas única e exclusivamente a postura diante
do Cristo na pessoa necessitada.
1.4 – Não há analogia na história das religiões para a identificação
plena do Cristo de Deus com as pessoas pobres e necessitadas. “Aí o Rei
responderá: Eu afirmo que, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos
meus irmãos, de fato foi a mim que o fizeram” (v. 40). Não é dito “quando
vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos é como se tivessem
feito a mim”, mas é dito “[...] de fato foi a mim que o fizeram”.
É assustador defrontar-se com o próprio Cristo na pessoa faminta, nua,
presa, doente, na criança vestida de trapos, no negro desprezado, na mulher
indígena considerada inferior. É assustador que, de acordo com o texto, não
tenho a liberdade de escolher em quem eu quero encontrá-lo. É assustador
encontrá-lo fora do espaço sagrado, sem poder limitá-lo a esse espaço.
1.5 – Para Mateus, é irmão de Jesus toda aquela pessoa que escuta sua
palavra e faz a vontade do pai, mas também aquela pessoa que passa necessidade
e sofre. G. Barth formula a relação da seguinte forma: “Se o ser humanoé julgado no Juízo Final por suas obras, isso significa que ele será perguntado
por sua relação para com Cristo, do qual as suas obras dão testemunho”.
E. Grundmann complementa: “Isso vale certamente para aquele que é
chamado ao discipulado e que responde a esse chamado com obediência ou
desobediência. Para ele, o estar-a-favor-dos-necessitados é uma parte de sua
confissão a favor de Cristo. Aquele, no entanto, que não o conhece com ele se
confrontará assim mesmo na pessoa pobre e necessitada, com ele se alia, e
nesse encontro decide-se o seu relacionamento com o Cristo de Deus”
(Grundmann, 1986, p. 528). Nesse caso, a confissão de que Cristo é o Senhor
acontece no ato de voltar-se às pessoas necessitadas, com as quais Cristo se
identifica, nas quais Cristo se encarna, nas quais ele está presente. Cristo
está presente também fora do “mundo cristão”, nas pessoas necessitadas
que dele nunca ouviram falar. Muito antes de qualquer missionário chegar
aos povos indígenas, Cristo já estava no meio deles, nos mais necessitados, e
no meio deles havia pessoas que dele deram testemunho, dando de comer e
de beber aos necessitados, vestindo-os, visitando-os... Desobrigados da necessidade
de converter o outro, podemos encontrar nele o Cristo de Deus.
2 Reflexões e pistas para a prédica
2.1 – O texto fala por si. É de uma clareza, simplicidade e radicalidade
arrebatadoras. Via de regra, no entanto, já temos uma compreensão predefinida
do texto, que se caracteriza por uma falsa espiritualização (“os pobres, na verdade,
são os espiritualmente pobres”), pela moralização indevida (“se os pobres
trabalhassem, não teriam necessidades”), pela tentativa esperta de definir,
a partir de critérios próprios, os necessitados pessoais (“a minha primeira
responsabilidade é para com a minha família e comunidade”), pela interpretação
do cumprimento do “catálogo de caridade” como caminho para a própria
salvação (“se eu cumprir a lei, Deus me ajudará”), por diferentes meios de“desradicalizar” o texto. Por outro lado, a maioria dos membros da IECLB (Bock,
1995, p. 302s.) sente-se em dívida com “os mais humildes dos irmãos (irmãs)”,
sentimento de dívida que os persegue e oprime.
Temos que ter em mente que, na prédica, precisamos considerar essas
pré-leituras e esse pré-entendimento do texto. Um ataque frontal contra esses
certamente não vai trazer nada. Sugiro que se tente ganhar a comunidade
para a simplicidade e radicalidade do texto. 1 – Ninguém é cabrito ou
ovelha a priori, desde o nascimento, mesmo que o reino de Deus tenha sido
preparado pelo Pai desde a criação do mundo (v. 34) – a atitude frente aos
necessitados definirá se seremos cabritos ou ovelhas. 2 – A cada dia nos é
dada a oportunidade de dar de comer aos famintos, de vestir os nus. 3 – E, o
mais importante, o Cristo de Deus, que é rei e juiz, é simultaneamente o Filho
do Homem e o pastor de ovelhas.
2.2 – O texto está previsto para a pregação no culto da véspera do Ano
Novo e não mais, como em anos anteriores, no fim do Ano Eclesiástico, em
que o enfoque estava voltado para as “últimas coisas”. Por isso talvez se
deveria convidar os membros a olhar para trás, para o ano que passou, e para
a frente, para o novo ano que se inicia, sem medo, refletindo sobre os momentos
em que fomos cabritos e os momentos em que fomos ovelhas, avaliando
nossa postura diante do próximo necessitado e planejando o novo ano
como aquele em que dedicaremos mais atenção e tempo aos próximos estranhos
e aos próximos familiares.
2.3 – O texto em pauta de Mateus 25 tem uma grande importância em
minha vida pessoal. A descoberta de que encontro o Cristo de Deus no “mais
humilde dos irmãos (irmãs)” ajudou-me nas mais diversas fases de minha
vida individual, comunitária e espiritual: 1 – a não me perder em especulações
sobre Deus, seu Filho, suas ações, meu relacionamento para com ele e
manter os olhos, os amores, os pensamentos e os sentimentos neste mundo,
voltados para a realidade existente, para os “cristos” ao meu redor; 2 – a
manter afastada a tentação de manipular, moldar e ajustar o Cristo de Deus
aos meus desejos, às minhas idéias, à minha piedade e, quando isso
porventura acontece, o primeiro índio marginalizado, a primeira criança de
rua abandonada, o primeiro cachorro maltratado fazem-me voltar à realidade
deste mundo caído, mas amado por Deus, ao Cristo encarnado no “mais
humilde dos meus irmãos (irmãs)”; 3 – a descobrir que, se Cristo se encontra
conosco através “dos mais humildes dos irmãos” neste mundo de Deus e não
num espaço qualquer, ele quer que assumamos responsabilidade pelo mundo
dos irmãos e das irmãs, em sua dimensão pessoal, espiritual, emocional,
política, material, jurídica, econômica, familiar.
2.4 – Se o Cristo de Deus se encontra conosco e se encarna nos “mais
humildes dos irmãos (irmãs)” e a nossa interação com eles passa a ser critério
de salvação eterna ou condenação eterna, não nos é permitido
supervalorizar nem subvalorizar as demais formas de o Cristo de Deus se
encontrar conosco e de se encarnar: na palavra pregada e vivida, no Batismo
da graça, na comunhão e perdão experimentados na Santa Ceia. Não somos
donos da palavra, nem do Batismo, nem da Ceia, nem “dos humildes dos
irmãos (irmãs)”. Na Palavra é Deus que nos serve. No Batismo é Deus quem
está a nosso favor. Na Ceia é Deus que se está dando a nós. No “mais humilde
dos irmãos” é Deus quem se confronta conosco. Tudo nos é dado de graça
para podermos servir.
2.5 – A relação espiritual e mística com o Cristo de Deus torna-se mais
profunda quando confrontada com a realidade de ter fome e sede, de ser
estrangeiro, de estar nu, doente e preso do “mais humilde dos irmãos”, pois
ela não mais está em função de si, não é mais deturpada pela ânsia pela
própria salvação. Ela terá que ajudar a discernir as relações neste mundo, a
suportar as contradições vividas pelos “humildes dos irmãos (irmãs)”, a ter
esperança quando a coisa está feia, a acreditar que o Cristo de Deus continua
a ter o poder de julgar com justiça, quando nos deparamos com injustiças
mil, com juízes corruptos, com cristãos que conseguiram criar para si um“modelito” de piedade que está acima disso tudo e já não mais enxerga Cristo
nos “mais humildes dos irmãos”.
Apesar de as ações arroladas como critérios de salvação e condenação
fazerem parte do catálogo de “obras de amor e caridade”, as obras em si não
têm nenhuma relevância no julgamento, pois nenhum dos dois grupos de
julgados têm consciência de sua importância. O único diferencial são o fazer
ou o não-fazer.
2.6 – Se o diferencial são o fazer ou o não-fazer, se Cristo está encarnado
na pessoa necessitada, ele já está lá onde o missionário cristão ainda não
chegou. O máximo que o missionário pode fazer é confirmar com seu próprio
testemunho, em palavras e ações, que Cristo realmente se identifica e está
presente nas pessoas necessitadas e abençoará aqueles que delas cuidarem,
dando de comer aos famintos e de beber aos sedentos, visitando os doentes e
presos... O Cristo de Deus devolve às pessoas necessitadas e excluídas, com
a sua presença nelas, a dignidade que elas têm como seres por Deus criados,
voltando elas a ser imagem de Deus (Gn 1.26). Aos que ajudam as pessoas
necessitadas a superar suas necessidades e a readquirir a dignidade de criaturas
de Deus, independente de sua origem, raça, língua, cultura, país e
religião, vale a promessa de Cristo: “Venham, vocês que são abençoados pelo
meu Pai! Venham e recebam o reino que, desde a criação do mundo, foi preparado
pelo meu Pai...” (v. 34). Não é possível, dessa forma, prender o Cristo
de Deus ao “mundo cristão”, nem a um discurso sobre a própria fé, nem a
teologias bem elaboradas, nem a determinados rituais, por mais caros que
eles sejam para nós e para outras pessoas. É assustador e, ao mesmo tempo,
libertador dar-se conta de que o Cristo de Deus é maior do que a nossa capacidade
de imaginá-lo: o Cristo de Deus está presente na criança maltrapilha
das Filipinas; o Cristo de Deus está presente na mulher camponesa dos confins
da China; o Cristo de Deus está presente no leproso da Índia; o Cristo de
Deus está presente no jovem indígena no sul do Brasil... E aqueles que ajudam
essas pessoas e o Cristo nelas têm a promessa do reino. A ajuda tem
muitas dimensões: a direta e imediata, a de dar de comer e beber...; a pedagógica,
a de ajudar a qualificar as pessoas necessitadas na busca pela comida
e água, na satisfação de suas necessidades, na redescoberta de sua autoestima
e na reconquista de sua dignidade como pessoas feitas à imagem de
Deus...; a política, a de ajudar na desmontagem das cercas ao redor dos poços
com água e dos rios com peixes; a comunitária, a de ajudar a descobrir a
força da união.
A missão junto a povos indígenas do COMIN baseia-se na mensagem
desse texto: a) Cristo já está lá, tanto na pessoa necessitada como naquela
que dá de comer, beber, vestir..., como juiz e Filho do Homem, rei e pastor;
b) nós só precisamos confirmar com nosso testemunho que ele realmente
está lá, com um rosto indígena; c) aprender a reconhecer nesse rosto indígena
diferenciado o Cristo de Mateus 25 e com ele dialogar; d) viver até asúltimas conseqüências o principal diferencial entre os salvos e os condenados
de Mateus 25: envolver-se com as pessoas necessitadas e suas necessidades.
2.7 – A identificação plena de um Deus com os necessitados e com os
pobres de seu povo não tem analogia na história das religiões.
Como devemos imaginar sua presença na pessoa do necessitado, fora
do espaço sagrado? Estará Cristo presente nos “mais humildes dos meus
irmãos” através de uma união mística? Ou estará ele se encarnando em cada
uma dessas pessoas, até na humanidade toda, de acordo com Apocalipse
21.3, onde diz: “Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus
vai morar com eles, e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles e
será o seu Deus”? Onde se encontra a nossa dificuldade? Será que não conseguimos
imaginar o Deus, todo-poderoso, entre nós? Será que não cabe em
nossa cabeça que ele optou por estar entre nós justamente por intermédio
das pessoas que desprezamos, menosprezamos, julgamos como menos valiosas,
honradas, merecedoras?
2.8 – Se me defronto com Cristo no próximo necessitado, não há espaço
para divagações, nem especulações. Se no dia-a-dia me defronto com Cristo
no menino e na menina de rua, nas pessoas famintas, doentes, presas, moribundas,
não vou poder manipulá-lo, nem formá-lo à minha feição, pois a
realidade é mais forte. O Cristo presente me desafia e impede que a minha fé
seja abstrata. Os povos serão convocados para o julgamento.
Aqueles que são abençoados não o são porque cumpriram obras de
amor e caridade (eles nem sabiam que o estavam fazendo), mas porque deram
de comer e vestir, porque visitaram os doentes e presos
2.9 – A graça de Deus está numa relação direta com o Cristo na pessoa
necessitada. Vivemos na tensão entre a graça recebida de Deus e o “dar de
comer aos famintos, de visitar os doentes e presos”. A graça do Cristo de
Deus sem o Cristo no “mais humilde dos irmãos (irmãs)” é uma fata morgana,
uma bolha de sabão, uma ilusão que não resiste à realidade. Quem atende o
Cristo no “mais humilde dos irmãos”, quem o reconhece como necessitado e
põe-se a vesti-lo, alimentá-lo, visitá-lo vive da graça de Deus para persistir
contra todas as aparências, para não desacreditar, para o ato do amor não se
transformar em lei.
O rei e o juiz são o Filho do Homem e o pastor, mas o Filho do Homem
e o pastor também são o rei e o juiz.
2.10 – O texto todo é composto por figuras e metáforas. A tarefa mais
importante consiste em ordená-las e esclarecer suas limitações. A metáfora
do julgamento, por exemplo, é de uma plasticidade que dispensa grandes
interpretações. Como todos temos uma pré-leitura do texto, é importante confrontar
a comunidade com algumas possíveis chaves de leitura: 1 – ninguém
é ovelha ou cabrito por nascimento ou porque acha que “tem Jesus no coração”;
o dar de comer ou não dar de comer ao necessitado é o diferencial;
2 – na pessoa necessitada o Cristo de Deus está presente, assim como está
presente na Palavra, na Ceia, no Batismo; 3 – todo dia nos é dada a oportunidade
de dar de comer aos famintos, de vestir os nus...; 4 – o Cristo de Deus é
simultaneamente rei e Filho do Homem, juiz e pastor.
3 Subsídios litúrgicos
Confissão de pecados:
L – Deus, há mãos – e podem ser as minhas– que estão sempre ativas, trabalhando
sem cessar. Dia e noite estão ocupadas
e não encontram tempo para amar.
C – Kyrie eleison.
L – Deus, há mãos – e podem ser as minhas– que estão fechadas, e não há
quem possa se aproximar.
C – Kyrie eleison.
L – Deus, há mãos – e podem ser as minhas– que estão cansadas, e não há
quem as possa aliviar.
C – Kyrie eleison.
L – Deus, há muitas mãos – e podem ser
as minhas – que, com saudade, buscam
o aconchego junto a Ti.
C – Kyrie eleison.
L – Deus de ternura, Deus de paz, Deus
de luz, Deus de amor, conduz-nos.
C – Kyrie eleison.
(Extraído do Livro de Culto VII, 302).
Oração da coleta:
Agradecemos-te, Senhor, por seres o pastor que nos apascenta e o juiz
que nos julga. Agradecemos-te por nos podermos encontrar com o teu Filho
pessoalmente nas pessoas necessitadas e por podermos nelas te servir. Pedimos
e agradecemos pela promessa do teu reino. Pedimos que nos ensines a
amar uns aos outros. Por Jesus Cristo, teu filho amado, que por nós morreu e
ressuscitou e que continua a morrer e ressuscitar nos necessitados. Amém!
Oração de intercessão:
Agradecemos por teu inesgotável amor, por não abrires mão de tudo o
que criaste e continuas a criar, Criador e Salvador. Agradecemos-te por nos
convidares para ser teu povo e porque queres ser o nosso Deus. Agradecemos-te por poder te conhecer pessoalmente nas pessoas necessitadas.
Pedimos pelas pessoas doentes, perseguidas, dependentes, desaparecidas,
pelas pessoas desenganadas, idosas, jovens, crianças, desempregadas
e desesperadas. Restaura a dignidade delas com a tua presença nelas.
Pedimos por todas as pessoas que têm responsabilidade nas comunidades
sociais e religiosas, na política, economia, educação.
Abre os nossos olhos para te enxergarmos nos maltrapilhos, nas pessoas
doentes, sozinhas, famintas, presas. Torna-nos capazes de viver de acordo
com a nova aliança que fizeste conosco em Jesus Cristo: aptos a dar os
passos necessários na política, comunidade e família para que ela se torne
visível; capazes de orientar os nossos passos na prática da justiça e do direito
do pobre, no exercício da solidariedade e compaixão; aptos a viver o ministério
do acolhimento e da reconciliação.
Queremos comemorar a tua presença na tua Ceia, Senhor, como filhos
e filhas, e viver de acordo com a tua vontade.
Queremos celebrar a tua encarnação em tua palavra, como irmãos e
irmãs, e viver de acordo com ela.
Queremos festejar a tua entrega no Batismo, como cidadãos e cidadãs
do teu reino, e seguir os teus passos.
Queremos acolher-te e servir-te nos “mais humildes dos irmãos (irmãs)“
e ser-te gratos por chegares tão perto de nós. Amém!
Bênção:
O Senhor esteja à nossa frente,
para nos mostrar o caminho certo.
O Senhor esteja ao nosso lado,
para nos abraçar e proteger dos perigos.
O Senhor esteja atrás de nós,
para nos preservar das armadilhas dos maus.
O Senhor esteja debaixo de nós,
para nos amparar quando caímos.
O Senhor esteja dentro de nós,
para nos consolar quando estivermos tristes.
O Senhor esteja ao nosso redor como um muro protetor,
para nos defender quando outros nos atacarem.
O Senhor esteja sobre nós,
para nos abençoar.
Assim nos abençoe o bondoso Deus de todos os povos. Amém!
(Baseado numa oração de Patrick, o apóstolo da Irlanda, falecido em 461)
Bibliografia
BOCK, Carlos Eduardo. Meditação sobre Mt 25.31-46. In: Proclamar Libertação,
v. XXI. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1995. p. 302-306.
GRUNDMANN, Walter. Das Evangelium nach Matthäus. In: Theologischer
Handkommentar zum Neuen Testament. 6. ed. Berlim, 1986.
REIMER, Ivoni Richter. Meditação sobre Mt 25.31-46. In: Proclamar Libertação,
v. XXVII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2001. p. 291-296.
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