MATEUS 28.16-20
Antonio Carlos Ribeiro
GÊNESIS 1.1-2,4a
2 CORÍNTIOS 13.11-13
1 Introdução
Foi primordialmente por causa de sua visão missionária que Mateusse pôs a escrever seu evangelho, não para compor uma ‘vida de Jesus’,
mas para oferecer orientação a uma comunidade em crise quanto
à maneira como deveria entender sua vocação e missão.
David J. Bosch
O fundamento da missão é o evangelho, do qual as igrejas são meios. E a
missão visa aos outros, que estão aí permanentemente. Sua presença interpela,
pede respostas, força o sair-de-si. Fazer missão pensando apenas em si mesmo
nega a eclesialidade. Igreja, para Lutero, é criatura da Palavra (Creaturae Verbi).
Não é fi m, mas instrumento de anúncio da salvação. Ela “não é nem o sujeito e
nem o objeto da missão, mas é seu meio, o espaço libertado em que se celebra a
presença de Deus no lado inverso do mundo. Não é o lugar em que nasce, mas
apenas aquele em que ressoa o anúncio”, ensinou Westhelle. A autoridade é de
quem aceita a missão. Destinada a todos.
A autoridade da igreja está a serviço do carisma. Se a igreja não exerce
o carisma, ele é dado a outras igrejas. Salvação é conceito teológico fundante,
igreja é derivado. Toda autoridade foi dada para o exercício do anúncio a todos.
Privilegiar um grupo revela insegurança, visibiliza as demais populações a serem
alcançadas pela missão e mostra as muitas trincas no suposto monólito eclesial,
feito de espaço e anúncio. Se o espaço sufocar o anúncio, esse não progride e
outro espaço é criado. Crescem as igrejas em que o anúncio pede espaço, em que
cabem todos, categoria da qual a salvação não abre mão.
O Evangelho de Mateus refl ete, por essa razão, um subparadigma de interpretação
e da experiência de missão da igreja primitiva. Esse novo parâmetro não
era necessário para a original comunidade de fé, da qual vieram os seguidores de
Jesus. Mas sinalizava que algo diferente estava a cobrar a atenção da comunidade
ensimesmada. Mesmo a ruptura da comunidade joanina, que precisou reinventar
a fé cristã a partir da Síria, denuncia a comunidade que se nega ao objetivo que
empresta sentido à sua existência.
Com disposição e resiliência, resistimos à realidade dualista, insistindo na
dualidade de levantar os véus (apokalypse) um a um, percebendo o segundo a
partir da recusa de reconhecimento do primeiro.
Talvez por essa razão, Harnack
tenha brincado com a ideia de que essas palavras poderiam ser um acréscimo
posterior ao evangelho, no esforço de entender as intenções de Mateus.
Os cristãos da comunidade mateana parecem ainda não ter se entendido
como membros de uma religião separada em contraposição ao judaísmo, mas ainda
se entendem primordialmente como um movimento de renovação dentro dele.
O público a que Mateus se dirige já tomou conhecimento da vigorosa expansão
missionária entre os gentios, mas se recusa a reconhecê-la porque ela acontece
fora de sua experiência e do alcance de sua visão. Ao abrir mão do direito de ser
destinatários da pregação de Jesus, por causa de sua conduta, os judeus acabaram
por reconhecer a propagação do evangelho, que se faz à revelia de sua legitimação.
O discurso ressentido é um reconhecimento.
O texto de Gênesis 1.1-2, 4a mostra o Espírito que paira sobre o caos e põe
em marcha um processo de ordenamento que resultará na criação. Já no início do
processo, o mesmo Espírito contempla o que foi criado e intervém aprimorando.
Na segunda carta aos cristãos de Corinto (13.11-13), o autor recomenda
que a comunidade se console, seja do mesmo parecer, viva em paz, e impetra a
bênção pedindo a comunhão do Espírito Santo.
2 Exegese
pregação está baseada no texto da chamada grande comissão (Mt 28.18-
20), a última perícope do primeiro evangelho. A circunstância é o exato ponto de
passagem da pregação de Jesus obre o reino dos céus e a resposta comunitária
de estruturação para o atendimento à ordem de anunciar o evangelho e discipular.
Conquanto a comunidade cristã nascente lute com a premência de afi rmar-se
frente à comunidade judaica, da qual saiu, não conseguiu ainda lidar com suas
defi nições mais básicas, incluídas as primeiras noções de sua eclesialidade.
É, ao mesmo tempo, uma comunidade à margem da sociedade, perseguida
pela sinagoga e pelo império, que vive em tensão com os adversários. A comunidade
de Mateus tem os privilegiados, que vivem nas cidades maiores, enquanto
nas periferias e no campo estão os trabalhadores, os escravos e as mulheres.
A relação com a etnia, que força a saída dos membros que não têm ascendência
judaica e a criação da comunidade joanina, é a mais forte expressão desse
momento. A força da comunidade joanina brota da necessidade de “reinventar” a
fé cristã da periferia do mundo político e religioso da época, ao elaborar a ruptura
com a comunidade judaica, marcada pelas decisões de Jâmnia. E se consolida
com essa última ruptura com a comunidade cristã de Jerusalém.
A pregação sobre a grande comissão possibilita a refl exão sobre a experiência
de rejeição. Por isso o teologúmeno elaborado pela comunidade joanina
para lidar com a separação traumática foi viver confi ado no amor do Pai e ancorado
nessa experiência. O discipulado (matthai, mattenai, mattanaya) é dádiva
concedida a quem ama e tem no amor o único instrumento para viver a vida.Essa intervenção surge na experiência de fé de um funcionário da alfândega
de Cafarnaum, o qual pela fl uência em falar e escrever línguas teve a possibilidade
de coletar e elaborar a experiência de sua comunidade, marcada portradições judaicas, principalmente na liturgia. Por ser provavelmente um judeu
de nascimento, Mateus esforça-se para enquadrar Jesus nesse ambiente – que se
opõe ao judaísmo ofi cial –, buscar forças para crer e perseverar na esperança.
As ações de Jesus nesse ambiente de traço judaico propõem uma pedagogia da
inclusão e uma inversão de expectativas.
A Pax Romana é o pano de fundo político mantido por mais de quatro
séculos, que garantiu a ausência de maiores confl itos armados na região. Ela se
estabelece pela supressão de todas as liberdades, autonomias e governos, pela
atuação das legiões que atuavam como um rolo compressor. O aperfeiçoamento
constante de armas, escudos, armaduras e catapultas tornava as legiões uma força
militar frente à qual não havia resistência possível.
O outro modo de opressão era a cooptação de nobres e ricos, que se posicionavam
ao lado dos romanos para assegurar seus interesses e manter privilégios.
Desse modo, sempre assumiam posições favoráveis aos romanos, em
primeiro lugar, conciliando com os interesses religiosos do templo, em segundo,
e por último, contrárias ao povo, no mais das vezes.
Essas são as confi gurações sociopoliticoeconômicas que compõem a conjuntura
do ambiente na Judeia no fi m do primeiro século, época da redação do
evangelho.
3 Meditação
Fazer discípulos de todas as nações, batizar em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo e ensinar todas as coisas que Deus tem ordenado (Mt 28.19-20).
Essa é, segundo Joachim Jeremias, uma fórmula litúrgica tardia, usada aqui pelo
evangelista para animar a comunidade em meio à crise de indefi nições do fi m do
primeiro século.
Hoje as igrejas estão no início de um novo século, também enredadas na
crise própria do tempo e se indagando se recorrem às respostas tradicionais, que
já não serviram antes, ou se ousam ao menos aproveitar a mesma fórmula para
se perguntar sobre a autoridade que o texto lhes atribui. Se as perguntas básicas
desta época – como nos dirigir ao público?, como motivar os jovens?, como falar
uma linguagem que alcance as pessoas?, como provocar impacto? – forem deixadas
para o segundo momento, é possível voltar à pergunta inicial.
Como voltar ao sentido primeiro de nossa identidade eclesial? Não o sentidoconfessional, o primeiro mesmo: a salvação que fomos incumbidos de anunciar.
Ee é primeiro e dá sentido porque é matricial. As igrejas, todas elas, não
escolhem a salvação que vão anunciar. Elas foram reunidas na força do Espírito
Santo, como confessamos nos credos, ara o anúncio da salvação. A propósito,
e não servirem a essa tarefa, estão como sal que não salga, já que existem e receberam
um mandato precipuamente para esse fi m. No atendimento ao chamado,
num segundo momento, descobrem seu próprio papel e, após analisar a realidade,
o sentido que poderão produzir dentro dela.
Perguntar sobre isso ajuda a dimensionar a forma como lidamos com a
mensagem de Cristo e os seres humanos comuns, feitos alvos primordiais do
amor apaixonado de Deus. E como o evangelho é uma realidade que não podemos
interpretar ao próprio gosto, podemos ao menos nos perguntar sobre os
parâmetros pelos quais vamos inculturá-lo em nosso ambiente, os esforços que
fi zemos e os que estamos dispostos a fazer, sem perder de vista as exigências para
testemunhá-lo no pluralismo cultural brasileiro.
A história de nossa igreja – da comunidade local à denominação –, da qual
somos herdeiros precisa ser entendida e estudada, mas precisamos descobrir nosso
posicionamento frente a ela. Voltar a ela, rever sua história e confrontar esse
dado como quem somos ajuda-nos a perceber qual a nossa contribuição neste
momento. Se pertencemos a uma história tão própria que não toca nas questões
reais de nosso mundo, temos pouca chance de ter interlocução com ele. Ou nos
sentiremos tão bons e o veremos com tanto desprezo, que não teremos o que
dizer ou, muito aquém do dinamismo da sociedade, diante da qual nos sentimos
impotentes para corresponder. O decréscimo do número de membros em nossa
igreja nas últimas décadas, em contraposição ao crescimento populacional e, na última década, pelo desenvolvimento econômico de nossa sociedade, gera certo
desconforto, sugerindo a pergunta: o que está acontecendo?
Isso nos faz indagar sobre questões já colocadas: a afi rmação e defesa desse
passado tão fortemente não difi culta nosso diálogo com a sociedade, a realidade
multicultural e os que buscam respostas às questões de nosso tempo? Será
que o balizamento dado pela visão de mundo (cosmovisão) das comunidades do
interior nos dá condições de enfrentar os centros urbanos? No caso das igrejas
étnicas, com a consciência de grupo mediada pela etnia, mais comum no interior,
ou sucumbiu à consciência de classe, como nas cidades, em que a etnia não altera
a condição social?
Isso gera um confl ito: se no interior a consciência de grupo é orientada pela
consciência de classe, nas cidades o discurso sobre a imigração parece a defesa
dos interesses de classe da elite econômica dos membros da mesma igreja. E esse
confl ito perpassa organismos como presbitérios, diretorias e funções, por vezes
denunciados e contestados, mas com marginalizações. Sem identifi car esse debate
com o do conjunto da sociedade, como em igrejas grandes, vivemos em dois
universos que só estão próximos confessionalmente. E o diálogo é difi cultado
pela dessemelhança.
Nas assembleias sinodais e concílios, essa perspectiva prevalece, por causa
do número maior de delegados, com visões próprias das regiões de onde vêm,
confi gurando a postura defensiva do seu modo de vida, que dá resultados naquela
região. Uma situação bastante comum é vermos a defesa apaixonada dos cultos
em alemão, sob o argumento de que faz sucesso. Apenas com os mais velhos.
Esse confl ito se agrava com o fl uxo migratório cada vez mais intenso para
os centros urbanos, sem debate e sem mediação, no qual, com a luta pela sobrevivência
e a busca de novas identidades no novo ambiente, muitos acabam por
romper com os velhos vínculos. Parte signifi cativa da “perda” de membros acontece
nesse processo. As demais igrejas também perdem membros, mas ganham
outros. Ao mesmo tempo, as linhas do crescimento populacional da sociedade
e da membresia das igrejas distanciam-se no gráfi co, a primeira para cima e a
segunda para baixo.
Ao debater a autoridade para a pregação do evangelho, a igreja quer ser
pública, mas não as debate; por isso também seu papel fi ca tão diminuído nos
centros urbanos. Parece que as respostas que desenvolveu servem para outro tempo
e lugar, e não para as pessoas e o tempo em que estão.
Isso levou o pastor Gottfried Brakemeier, ex-presidente da IECLB, a afi rmar:
“Urge romper as cercas que a comunidade evangélica ergueu em torno de
si”, para em seguida indagar: “Se é verdade que a graça de Deus fundamenta a
comunidade, por que há tantos ntraves para a fi liação de gente que não comunga
a mesma origem étnica, a mesma classe social, o mesmo nível cultural? A padronização
do ‘estilo de vida’ de uma comunidade redunda em exclusão das pessoasque nela não se sentem em casa nem encontram espaço. Onde estão, por exemplo,
os jovens, os intelectuais, os negros luteranos?”
ara a que a igreja exerça sua autoridade sobre a sociedade, precisa de
uma membresia que se projete sobre o conjunto da sociedade, com o objetivo de
estabelecer trocas profundas, pelas quais dê de si mesma e receba os estímulos e
interpelações que a sociedade lhe traz. Dizendo de modo existencial: para exercer
a autoridade – colocar-se a serviço –, é preciso sair de si, afi rmar-se, sofrer contestações
e buscar novas sínteses. Numa palavra: experimentar trocas, reencantarse
com o mundo e suas possibilidades para voltar a si e propor-se uma nova forma
de realizar a mesma tarefa.
A autoridade toda dada no céu e na terra e transmitida por Jesus à igreja
é aquele primeiro mesmo, o ligado à salvação, o universal, que vale para todo o
mundo e frente ao qual as demandas de uma igreja particular fi cam relativizadas.
Se já superamos a tentativa de demonstrar que nossa igreja é “a igreja”, precisamos
apoiar-nos no básico da compreensão eclesial do Reformador: Igreja é
criatura da Palavra. Sua palavra só fará sentido se ela estiver bem plantada em sua
realidade e não perder a dimensão de que seu anúncio é universalizável – possível
de aceitação em todo o mundo habitado –, e somente assim será a igreja à qual
foi dada toda a autoridade.
4 Imagens para a prédica
ara refl etir sobre a autoridade dada à igreja universal e como ela se traduz
na estrutura da minha “igreja”, trago um conceito do fi lósofo Friedrich Schiller,
mostrando uma situação similar no ampo da arte:
omo na realidade é impossível encontrar um efeito estético puro (pois o homem não pode
escapar à dependência das forças), a excelência de uma obra de arte pode apenas consistir
em sua maior aproximação daquele ideal de pureza estética e, por grande que seja a liberdade
alcançada, sempre iremos abandoná-la com uma disposição e uma direção particular.
Quanto mais geral for essa disposição e quanto menos limitada for a direção que um determinado
gênero de arte e um produto particular dele dão à nossa mente, tanto mais nobre
será aquele gênero e tanto mais excelente será tal produto. Isso pode ser experimentado em
obras de diversas artes e em diversas obras da mesma arte.
5 Subsídios litúrgicos
Saudação:
O celebrante deve dizer à comunidade reunida que, na tradição cristã, estamos
celebrando o tempo de Pentecostes, época em que a igreja celebra seu nascimento,
já que ela existe pela ação do Espírito Santo, que produz comunhão entre
os santos. Assim somos chamados a nos deixar mover pelo Espírito e envolvernos
nos diversos movimentos que ele provoca à nossa volta.
O/a celebrante afi rma: É o Espírito que nos faz descobrir que somos igreja
de Jesus Cristo no mundo. Mas como estar no mundo supõe uma localização,
concluímos que somos igreja de Jesus Cristo no Brasil. Na alegria desse compromisso,
saudemo-nos uns aos outros. Amém.
Confi ssão de pecados:
Estamos aqui, Senhor, para admitir as circunstâncias em que temos difiuldade de nos sentir pessoas humanas comuns, alvos do mesmo amor que destinas
a outros fi lhos e fi lhas teus. Nosso egoísmo e arrogância nos impelem a
desconsiderar, invisibilizar e não admitir as pessoas em nossa comunidade como
alvos privilegiados de teu amor. Perdoa nosso olhar seletivo, nossa suposição de
saber, nossa vaidade que exige reconhecimento. Envolve-nos na tua comunhão,
suscita desejos de encontro e troca e dispõe-nos ao encontro do diferente, para
que com calma e paciência possamos redescobrir o igual. Ajuda-nos, confi antes
em teu amor e graça, a viver na esperança e sob o teu cuidado. Tem piedade de
nós, Senhor!
Oração do dia:
Deus, que no Espírito nos faz ser comunidade, ajuda-nos a encontrar e
integrar pessoas que estão em busca de teu amor. Em nossa particularidade, dános
coragem para esse gesto tão universal! Ajuda-nos a criar espaços de troca e
possibilidades de participação na comunidade. Ajuda-nos a dialogar mais e de
maneira mais profunda com as situações de nosso cotidiano e a buscar melhores
respostas às questões de nosso povo. Amém.
Oração fi nal:
Neste momento, a comunidade é convidada à oração. As palavras de Dietrich
Bonhoeffer, ao se perguntar sobre sua autenticidade no testemunho, devem
inspirar a pensar em nós mesmos, e nos disponhamos a ir ao encontro do outro,
como vamos diante de Deus:
Quem sou eu? Este ou aquele?
Sou hoje este e amanhã um outro?
Sou ambos ao mesmo tempo? Diante das pessoas um hipócrita?
E diante de mim mesmo um covarde queixoso e desprezível?
Ou aquilo que há em mim será como um exército derrotado,
Que foge desordenado à vista da vitória já obtida?
Quem sou eu? O solitário perguntar zomba de mim.
Quem quer que eu seja, ó Deus, tu me conheces, sou teu.
E como o Espírito é huah e pneuma, ambos vento que a tudo movimenta,
deixemos que as crianças distribuam balões vermelhos, cheios de ar.
Bibliografi a
BOSCH, David J. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia
da missão. Trad. Geraldo Korndörfer e Luís M. Sander. São Leopoldo: EST, Sinodal,
2002.
JEREMIAS, Joachim. Abba y el mensaje central del Nuevo Testamento. Salamanca:
Sígueme, 2005.
MAZAROLLO, Isidoro. Evangelho de Mateus. Rio de Janeiro: Mazarollo, 2005.
STANLEY, David M. Evangelho de Mateus. Trad. Ana Flora Anderson e Gilberto
Gorgulho. São Paulo: Paulinas, 1975.
STANTON, Graham N. A gospel for a new people. Louisville: Westminster, John
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WESTHELLE, V. Missão e poder – o Deus abscôndito e os poderes insurgentes.
Estudos Teológicos/EST, 31 (2): 183-92, 1991.
