MATEUS 4. 12-23
Cristina Scherer
Estimados irmãos e irmãs em Cristo!
Estamos vivendo a época da Epifania de nosso Senhor. Epifania lembra a manifestação de Deus neste mundo, a forma como Deus vem a nós, como ele aparece e se manifesta em nosso meio.
Recentemente, no Natal, recordamos esta ato salvífico e amoroso de Deus por nós, quando ele se tornou gente no humilde menino nascido em Belém. Agora, no tempo da Epifania, lembramos acontecimentos concretos da vida de Jesus de Nazaré, como ele apareceu ao povo e manifestou a sua mensagem de vida nova e salvação a partir do anúncio do Reino de Deus.
Um texto comum para este tempo da epifania é o de Mateus 4.12-23, quando Jesus inicia seu ministério na região da Galiléia e chama pessoas para lhe seguir. Vamos ouvir este texto:
Vemos que Jesus inicia seu ministério. Em que consiste seu ministério? Ele é descrito no v.23, que afirma que Jesus veio para anunciar o Reino de Deus através da pregação da boa nova do evangelho, a boa notícia que Deus oferece às pessoas, a possibilidade do arrependimento e da salvação; ensinar o povo, (para Mateus é importante destacar que este ensino se realizava especilamente na sinagoga) e curar doenças e enfermidade entre o povo.
Quando, em que contexto Jesus inicia seu ministério?
Logo após a prisão de João Batista, o profeta que veio para preparar o caminho para o Senhor, o que batizava as pessoas com água, agora, pois, Jesus veio para batizar com o Espírito. Jesus Cristo dá continuidade à pregação do Batista, porém a maior diferença é que em Jesus o Reino de Deus se concretiza. Ele veio como cumprimento das profecias, para trazer luz ao povo que vivia em grandes trevas. O profeta havia anunciado: para o povo que jazia nas trevas, brilharia uma grande luz. Superando os preconceitos contra os galileus, ele pôs-se a anunciar-lhes a chegada do Reino, e, com ele, a salvação de Deus. As pessoas da região da Galiléia foram as primeiras chamadas a se converterem para o Reino de Deus que, em Jesus, se fez presente na história humana.
O povo que vivia no norte de Israel, região da Galiléia, era considerado impuro e menos dignos pelos habitantes do sul do país.
Ao iniciar sua atuação pública, Jesus deixa sua família, em Nazaré, e vai morar em Cafarnaum, próximo à terra dos gentios, pagãos, na região da Galiléia.
A palavra Galiléia vem do hebraico galil, que significa “anel, círculo, região”, pois era um círculo de cidades em volta do mar da Galiléia. A palavra aparece no Antigo Testamento (Js 20.7; 1 Rs 9.11; Is 9.1). O rei da Assíria cercou Samaria, e levou em cativeiro as 10 tribos do Norte, em 722 a. C. (2 Rs 17.6) e trouxe gentios para povoarem a região (2 Rs 17.24). Isso deu origem a uma população mista com minoria judaica. As descobertas arqueológicas revelam a presença de cultos pagãos em Samaria, Fenícia, Síria e nas grandes cidades da Galiléia. A região era habitada predominantemente por esses gentios de modo que era chamada de “Galiléia dos Gentios”.
Era uma área de terra fértil e bem regada por ribeiros. Exportava cereais e azeite de oliva. A atividade pesqueira representava também uma parcela considerável da economia da região. Era densamente povoada, porém menosprezada pelos judeus (Jo 1.46; 7.52). A Galiléia esteve sob o governo da Fenícia durante 50 anos. Pela diversidade da população com seus cultos e costumes pagãos aquele povo era friamente desprezado pelos judeus que seguiam a lei mosaica.
Jesus anunciava a vinda do Reino de Deus e curava a todos os enfermos, endemoninhados, lunáticos, paralíticos provenientes da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia, da costa marítima, de Tiro e Sidom, e dalém do Jordão (Mt 4.25; Lc 6.17), ninguém pode negar que Ele haja operado mais sinais e maravilhas na Galiléia do que em qualquer outra região. Isso para que se cumprissem as profecias de Isaías (9.1,2) e porque a necessidade da Galiléia era maior. Cafarnaum, na Baixa Galiléia, é ainda hoje conhecida como a Cidade de Jesus (4.13; Mt 9.1).
Mas, porque Jesus viera para “buscar e salvar o que estava perdido”, escolheu exatamente a Galiléia como ambiente privilegiado para a sua ação missionária.
Jesus se apresenta ao mundo como um missionário itinerante: ensina, prega a boa notícia do Reino, cura os doentes, chama os discípulos. Começa a sua missão, porém, não em lugares importantes nem religiosos como Jerusalém, mas em zonas de periferia, pobres, entre os afastados, os menos religiosos, os quase pagãos, os impuros, como eram considerados os habitantes da Galiléia.
Com esta escolha inicial, Jesus mostra que os primeiros destinatários do seu Evangelho e do Reino não são os justos, os observantes da lei ou aqueles que se acham os tais, mas os afastados, os excluídos, os pecadores. Este é o início humilde de uma missão que terá horizontes universais, e que será levada adiante pelos discípulos e pelos seus sucessores, chamados a seguir Jesus para serem, em qualquer parte do mundo, “pescadores de gente”.
Nesta região menos favorecida, ao povo que parecia como ovelhas sem pastor, Jesus dá especial atenção, se importa com eles, ouve seus clamores e anseios, cura suas feridas e chagas, ampara e fortelece suas almas, dá sentido e valor às suas vidas, e para isso, conta com a ajuda de outros que se juntam na missão do Reino de Deus. Jesus chama pescadores, profissão abundanrte naquela região cercada pelo lago de água doce, também chamado de mar da Galiléia, ou lago de Genesaré (Lc 5.1) ou Tiberíades (Jo 21.1).
Naquele lugar, o ministério de Jesus começa a surtir efeitos. A sua pregação dá frutos visíveis. Os primeiros que Jesus avista são chamados a lhe seguir. São os pescadores, Simão Pedro e André e, mais tarde, Tiago e João, estes últimos dois irmãos. Todos seguem a Jesus e se comprometem com a missão de Deus, já não mais pescam somente peixes, mas se dedicam à vida, aos anseios, aos sofrimentos e sonhos das pessoas. O encontro com o Messias produz vida nova e serviço concreto. Os pescadores não mais exerceriam a função que estavam acostumados, agora, novos desafios lhes eram propostos, novos horizontes se abriam com a vinda do Mestre, novos caminhos seriam trilhados. A pregação do Reino de Deus produz mudanças na vida. Diante dela não ficamos inertes, algo deve mudar. Assim como Jesus iniciou sua atuação pública convidando as pessoas ao arrependimento e ao seguimento, também nós somos na vida cristã constantemente desafiados pelo convite de Jesus de Nazaré, que veio salvar e buscar quem se encontra perdido, sem sentido na vida, vazio de amor e fraco no empenho pelo serviço ao próximo. A você e a mim, Jesus continua vindo, se manifestando, chamando e desafiando, hoje e sempre.
Compartilho ainda, como complemento, a letra de uma canção que acompanhou meus passos na fé, por vezes trilhados em âmbitos ecumênicos desde minha juventude. Que esta canção nos envolva mais e mais na missão que Jesus iniciou na Galiléia e deseja continuar em nosso viver. Amém.
Há Um Barco Esquecido na Praia
Composição: Pe. Zezinho
Há um barco esquecido na praia
Já não leva ninguém a pescar
É o barco de André e de Pedro
Que partiram pra não mais voltar
Quantas vezes partiram seguros
Enfrentando os perigos do mar
Era chuva, era noite, era escuro
Mas os dois precisavam pescar
De repente aparece Jesus
Pouco a pouco se acende uma luz
É preciso pescar diferente
Que o povo já sente que o tempo chegou
E partiram sem mesmo pensar
Nos perigos de profetizar
Há um barco esquecido na praia
Um barco esquecido na praia
Um barco esquecido na praia
Há um barco esquecido na praia
Já não leva ninguém a pescar
É o barco de João e Tiago
Que partiram pra não mais voltar
Quantas vezes em tempos sombrios
Enfrentando os perigos do mar
Barco e rede voltavam vazios
Mas os dois precisavam pescar
Quantos barcos deixados na praia
Entre eles o meu deve estar
Era o barco dos sonhos que eu tinha
Mas eu nunca deixei de sonhar
Quanta vez enfrentei o perigo
No meu barco de sonho a singrar
Jesus Cristo remava comigo
Eu no leme, Jesus a remar
De repente me envolve uma luz
E eu entrego o meu leme a Jesus
É preciso pescar diferente
Que o povo já sente que o tempo chegou
E partimos pra onde ele quis
Tenho cruzes mas vivo feliz
Há um barco esquecido na praia
Um barco esquecido na praia
Um barco esquecido na praia