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MENSAGEM DAS IGREJAS E INSTITUCIÕES
DIANTE DA REALIDADE DO HIV-AIDS
NA AMÉRICA LATINA E CARIBE



1. Em fidelidade ao chamado do Senhor Jesus Cristo para ministrar segundo os dons que o Espírito Santo nos tem dado, a favor e com os nossos irmãos e nossas irmãs que vivem com HIV-aids, nos reunimos na Cidade do Panamá, convocados pelo Conselho Latino Americano de Igrejas, num grupo de 31 instituições e igrejas que estão trabalhando com pessoas que vivem e convivem com HIV-aids.

2. Chegamos com nossos corações abertos, desafiados pela realidade complexa e conflitiva que alcança a Igreja e a sociedade civil através da pandemia do HIV-aids.

3. Nosso encontro, graças ao nosso Deus, foi vital para fortalecer e illuminar nosso ministério e compromisso. Temos compartilhado nossas experiências e iniciativas, reflexões, ações e limitações, com respeito às políticas públicas, o marco bíblico teológico, a ação pastoral e a contribuição científica. Aqueles que vieram a este encontro trouxeram uma mensagem encarnada em suas próprias realidades específicas, proclamando um grito, um gemido de oração, de busca, solidariedade e aproximação com outros e outras. Nos temos alegrado e temos dado graças a Deus por este espaço que nos ofereceu o CLAI.

4. Ao nos encontrarmos temos demarcado alguns objetivos gerais e específicos que nos têm servido como guias para o trabalho e possibilitam projetar nosso caminho adiante. No compartilhar mútuo de nossos ministérios temos desejado transmitir uma mensagem esperançosa para nossos irmãos e nossas irmãs que vivem com HIV-aids; sem deixar de nos indgnar por sua exclusão, estigmatização e dor. Nos sentimos alegres ao reconhecer sua dignidade e valia em nossas sociedades. Também temos lamentado nossas próprias ignorâncias, ingenuidades e incapacidades. Algumas vezes temos sentido compaixão de nós mesmos por nossas limitações para reduzir a propoagação da pandemia, como também temos tido que confessar nossa cumplicidade, a qual permitiu que chegássemos a esta situação tão alarmante.

5. Graças a este encontro foi ampliada a nossa visão sobre a complexa realidade que inclui todos nossos irmãos e nossas irmãs que vivem com HIV-aids a sua volta. Agora compreendemos que a realidade religiosa, sócio-econômica, política e cultural são parte de uma estrutura ambiental que favorece a propagação do HIV-aids. Neste sentido, tanto as estatísticas e a incidência, bem como as atitudes nos confirmam com assombro que se trata de uma sociedade enferma, e que toda ela requer uma transformação radical até que cheguemos a ser pessoas novas, igrejas novas e sociedades novas como testemunho de que o horizonte para nós é o Reino de Deus.

6. O contexto sócio-histórico atual está dominado por poderes obscuros interessados em não conceder visibilidade a grande pandemia; devido a tendência do lucro neoliberal e a globalização que privilegia o mercado exclusivo somente para aqueles que tem poder aquisitivo, discriminando insensivelmente a dois terços da população em nosso continente, a qual fica exposta a miséria e aos riscos da pandemia.

7. Diante desta situação de exclusão generalizada, deploramos o escândalo de que existindo medicamentos eficazes, milhares de pessoas morram diariamente porque não têm acesso a estes.

8. Com profunda preocupação reconhecemos que a realidade do HIV- aids coloca em evidência as diferentes faces da Igreja. Por um lado, se manifesta o rosto da indiferença, porque esta tem ouvido e se colocado no caminho do clamor daqueles que vivem e são afetados com HIV-aids, entretanto, passamos longe, como o religioso da Parábola do Bom Samaritano (Mateus 10:27-35). Ainda nos preocupamos com o rosto farisaico que condena com ligereza, desde suas posições absolutas, com dedo acusador como pecadores impuros e condenáveis aqueles que vivem nesta circunstância. Mas, com alegria celebramos o encontro com a face da igreja do amor, da solidariedade e compromisso; a qual tem enfrentado diversas limitações para dar os primeiros passos neste ministério para sensibilizar, prevenir, atender, acompanhar e se integrar a esta realidade; ou em muitos casos morrer para viver a Páscoa da ressurreição.

9. Conforme os sinais dos tempos que temos compartilhado neste encontro do CLAI, as pessoas em toda situação e circunstância, que vivem com HIV-aids se constituem numa oportunidade e num desafio para o ministério pastoral de nossas igrejas hoje em dia.

10. Reconhecemos que esta realidade não envolve somente as pessoas que vivem com HIV-aids, mas implica a todos e a todas com quem compartilhamos a existência neste mundo. Portanto, é um imperativo anunciar profeticamente a responsabilidade da igreja e da sociedade no trabalho solidário para que como um só corpo, assumamos a tarefa que exige esta realidade. É nossa obrigação velar pela observância dos direitos humanos de todas as pessoas que estão vivendo nesta situação.

No amor de Jesus Cristo nosso Senhor, fazemos um chamado a nossas comunidades de fé a prepararem-se de forma integral, desde uma perspectiva bíblico-teológica para assumir este ministério.

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação." (2 Co 1.3-5)

Recomendações finais:

•  Que as igrejas, desde suas identidades se abram ao diálogo bíblico, teológico e pastoral sobre HIV-aids.

•  Trabalhar para descobrir paradigmas bíblicos para a ação pastoral.

•  Abrir-se para a reflexão de temas sobre:

•  Marginalizados/excluídos.

•  Justificação pela fé / vida. Lei / Evangelho, graça e vida.

•  Antropologia bíblica e pecado.

•  Comunidade de fé / Inclusividade e ecumenicidade.

•  Teologia da sexualidade a partir da realidade latino-americana e do Caribe.

•  Que a temática de gênero seja um ponto transversal da reflexão e das açõs nos trabalho com HIV-aids. Criar espaços de diálogo com as diferentes teorias de gênero e sua implicação pastoral.

•  Capacitar o voluntariado nas áreas de: liturgia, Bíblia, pregação, acompanhamento, assistência e outras.

•  Reforçar a pesquisa e a formação nos centros de formação acadêmicos e teológicos sobre HIV-aids.

•  Socializar os documentos existentes das igrejas sobre o tema HIVaids.

•  Criar espaços de diálogo com as minorias ativas que historicamente são vulneráveis pelo HIV-aids.

•  Dinamizar uma diaconia profética de anúncio, atenção e denúncia.

•  Fortalecer a participacão da comunidade de fé para o acompanhamento integral da realidade de HIV- aids.

•  Reconhecer o ministério das pessoas vivendo com HIV-aids na comunidade cristã.

•  Que as igrejas e as instituições se constituam em organizaçãoes, junto com outras da sociedade civil como "aqueles que garantem" o cumprimento dos convênios e acordos internacionais, regionais e locais sobre HIV-aids (UNGASS, ONUAIDS, Leis Nacionais sobre aids)

Cidade do Panamá, 31 de janeiro de 2004.

 

- ENCUENTRO REGIONAL IGLESIA Y VIH SIDA EN AMÉRICALATINA Y EL CARIBE

- Mensaje a las iglesias e instituciones relacionadas en America Latina y el Caribe

- Messje to Churches and Organizations that work on HIV/AIDS in Latin America and the Caribean

- Mensagem as igrejas e instituicoes que trabalham com VIH_AIDS na América Latia e Caribe

- Objetivos del Encuentro

-
Recomendaciones

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